29 junho 2011

O busão, o protesto e a esperança

Tá bom vai, não tava tão lotado quanto esse...
Quarta-feira. Espera pelo bus: 01h10m exatos. Claro, cheguei atrasado ao trabalho.

Acho engraçado as TVs, revistas e etc e tal falarem à população "Deixe seu carro em casa, use o transporte público". Na boa, gado a caminho do abate tem mais conforto do que o coletivo que peguei para ir trabalhar. Ir trabalhar! Sim, porque se estivesse indo me divertir, não teria a pachorra (ou teria?) de fazer esse pequeno desabafo aqui. E se eu tivesse um carro (é, não tenho =/), iria, diante do cenário atual do transporte público paulista (será que no resto do Brasil tá assim também? #falsaesperança), usá-lo sem peso na consciência.

Mais um contribuindo pro estouro da camada de ozônio.

Não vou me prolongar o quanto queria no assunto. Até porque, quem paga R$2,90 para andar em um transporte do jeito que andei, não tem direito a reclamar. E até porque também é inútil qualquer reclamação.

Assim caminha a humanidade brasileira meu povo. Ontem assisti a um Profissão Repórter (que diga-se de passagem, é um dos poucos programas da atual TV brazuca que se salvam!) e vi que as manifestações que ocorrem, ocorrem de forma desorganizada e a maioria dos "protestantes" está lá mais pela bagunça ou 15 minutos de fama (ou cacetada na orelha) do que conhecimento de causa. A ignorância é realmente uma benção e sobram para os poucos que realmente desejam mudanças.
Exemplo de esperança na TV brasileira
"Ah Sérgio, mas é claro que todos querem mudar!". Será? Acredito que se o povo, a massa desejasse mudanças verdadeiras, não teríamos certeza de que, pouco adiantam esses protestos. Em nada irá resultar se o pensamento for homogêneo em prol do que se quer. Em nada irá resultar se não houver um conhecimento de causa. Porra, do que adianta eu lutar por algo se eu não sei onde isso vai dar?

O direto do outro começa quando o meu termina, mas onde é que o meu direito termina? E os deveres, alguém lembra deles? Será que é válido fazer um protesto onde temos figurinhas que estão lá só pra bagunçar e tirar onda de intelectual? Justiça seja feita aos poucos (se comparado a massa ignorante) que buscam conhecimento em prol das melhorias. Mas pensar custa tempo. E no nosso tempo, até dinheiro.

Uma população que paga o preço que paga pelo transporte que é de seu direito, não merece atenção por protestos a favor da liberdade, da maconha ou qualquer outra coisa. A liberdade de expressão não é funk explícito tocando no Domingão do Faustão. E não só porque sabemos organizar passeatas e manifestações via Twitter, Facebook e outras redes sociais, que nos dá o direito de acharmos que estamos mudando o mundo.

Até porque a mudança deve existir no mundo real! Fica fácil criar eventos e hastags no Twitter quando, o que realmente importa, tá lá fora. Sim amiguinhos nerds, a verdade está sim lá fora! Pense nisso. Pense antes de agir! Aja com a arma da razão e do conhecimento. "Não falo com mídia corporativista." disse um sujeito ao repórter do programa que citei acima. Com certeza ele não pensou nisso quando comprou a câmera HD que carregava. Ou o celular Iphone. Ou o notebook. Ou ao acessar as mesmas redes sociais que ele incluiu no discurso.

Eu acredito que um dia sim...
A ignorância na verdade não é uma benção. E nunca a música "Rebelde Sem Causa" do Ultraje a Rigor fez tanto sentido. O retrato perfeito dessa nossa geração.

Infelizmente resta lamentar pelas cenas ridículas que vejo, pessoas ridículas que aparecem e momentos que me fazem ter a certeza de que o mundo está indo por um caminho sem volta.

Pode parece pessimismo, mas, a esperança ainda existe.
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