17 dezembro 2014

E o Chaves Se Foi...

...embora desse mundo.
Mas com certeza Roberto Gómez Bolaños (21/02/1929 - 28/11/2014) deixa uma obra que infelizmente é menosprezada por muitos.

Uma pena, já que Chaves e Chapolin, personagens que criou a mais de 40 anos atrás, são a representação clara dos sonhos e frustrações de algumas gerações que viveram essas últimas décadas na América Latina. Mas que nunca perdeu a esperança!

Apelidado de 'Chespirito' (pequeno Shakespeare em espanhol), alcunha dada pelo diretor mexicano Agustín P. Delgado, não era a toa. Bolaños conseguiu como poucos captar a essência do que significava sonhar e traduzir em roteiros que encantaram o público de seu país natal.

Mas a conquista do mundo começou somente quando criou um super-herói atrapalhado, em uma época em que o acesso aos heróis DC e Marvel não chegava nem a 1/3 do que nós temos hoje, mostra que mesmo com um jeito todo atrapalhado e desajeitado, com bom coração e boas intenções (seguidas claro de ações), todos podemos ser heróis.
O Chapolin Colorado era claro uma sátira a todos os grande heróis, mas que nem mesmo seu criador percebia o poder de sua marreta biônica.

Em uma leve mistura de humor pastel, ironia e sagacidade, havia também esse clima de esperança no próximo e de coragem (mesmo que a faltasse muito para o Polegar Vermelho), que nos ensinava sempre uma lição bacana no final de cada episódio.

O tom do humor simplório e sagaz mostrava o caminho que seria trilhado por um certo menino, que morava em uma certa vila, dentro de um barril...e que conquistou corações e fãs pelo mundo inteiro!

Um ano depois Bolaños cria o menino Chaves. Com certeza não imagina o fenômeno que esse personagem iria se tornar não só na América Latina, mas no mundo!

O humor simplório não significava nunca sinônimo de má qualidade. Ao contrário. Sem apelações, os roteiros de Bolaños construíam um caminho onde no final, o bem sempre venceria.

Chaves era o retrato fiel de uma sociedade que se assemelhava em muito com a brasileira. Talvez ai a explicação para tamanha identificação com um personagem durante 30 anos! Um sucesso que não tem antecedentes e que dificilmente será superado.

Difícil explicar o sentimento ao escrever esse texto. Esperei passarem alguns dias para que o pensamento ficasse apenas nas boas risadas e lições que aprendi  com aquele elenco que representava histórias de uma ingenuidade tão grande que de fato, chega a ser algo surreal nos dias de hoje.

Mas da mesma forma que o pensamento de seu autor era passar alguma esperança para uma audiência que buscava sempre uma válvula de escape para problemas cotidianos.

E ao entrar em seu barril, Chaves nos ensinava que sempre haveria o amanhã para que pudêssemos tentar de novo.

Registro aqui, um pouco tarde eu sei, o meu OBRIGADO a esse homem que com certeza nos ensinou que mesmo "sem querer, querendo" podemos sonhar e ter a certeza de que com trabalho duro e esforço, podemos chegar lá.
Feed
Assine o Feed do Desventuras para acompanhar o blog no seu agregador favorito, ou receba gratuitamente todos os posts por e-mail

Deixe o seu comentário: