12 setembro 2015

Direita, Esquerda e o Cometa #26para29

Mais um domingo chuvosa na grande cidade.

A rodoviária com o mesmo movimento domingueiro, com pessoas do estado inteiro querendo apenas um assento a caminho de casa.

"Essa marcação está correta?" - pergunta o garoto de óculos.

"Eu estou no lugar errado..." - responde a menina de cabelos negros.

"Pode ficar na janela, os pensamentos fluem melhor desse lado...serei um cavalheiro essa noite." - prontamente o garoto de óculos responde.

"Em pensar que ainda dizem que o mundo anda perdido..." - a menina de cabelos negros sorri.

E ao sentar ao seu lado, o garoto de óculos permanece educado e controlado para o que parece ser uma oportunidade de ouro.

Enquanto o ônibus adentra a rodovia, percebo que a conversa, inevitavelmente audível pela ausência de meus costumeiros fones de ouvido, toma um rumo político.

Direita, esquerda, anarquismo, fascismo, ditadura...uma verdadeira aula de politica de dois jovens que em um rascunho do que temos do mundo hoje estariam conversando sobre roupas de marca, a novela das 21 horas ou a falta do Big Brother.

Enquanto meu filhote dorme embalado pela velocidade constante do ônibus, me divirto com a educada discussão entre o garoto de óculos da direita e a menina de cabelos negros de esquerda.

Frustrações, idealizações, vontades...

"Você tem covinhas..." - aponta a menina deixando o garoto mega sem graça...e a conversa, como se essa história estivesse saindo da minha cabeça sonhadora, toma o rumo que esperava.

Relacionamentos anteriores, traições, sonhos, família...uma verdadeira demonstração de o quanto em comum as pessoas mais desconhecidas tem para partilhar.

Frustrações, idealizações, vontades...

A chegada inevitável no destino traz a tona o baque da realidade...trocam informações de suas redes sociais...e descem.

O final dessa história, escreveria com uma ida ao boteco mais próximo. Ele tomaria uma Coca, ela uma Brahma.

A política se misturaria ao sentimentalismo...ela moraria ali perto...iriam andando para casa, antes da meia noite, horário do último ônibus dele.

Ela agradeceria pela noite, assim como ele havia agradecido pela conversa na viagem...eles se olhariam como se os pensamentos racionais fossem por água abaixo e o idealismo de uma história dessa fosse tão real quanto as discussões capitalistas, mas tão irreal quanto o socialismo.

Não se beijariam...um beijo dela no rosto...um abraço...e teriam o resto da vida pra discutirem qual lado é melhor para o país. Direita....esquerda...chegariam ao primeiro beijo no dia em que s ideia central das mentes de todo o mundo chegasse para eles: a felicidade e o bem-estar mútuo.

Não mudariam o mundo, mas mudariam o seus mundos...e isso já era o bastante.
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