03 dezembro 2015

Sobre um Alter Ego #005

Resolvi então sentar e abrir uma página em branco, daquelas que pedem por algo. Olhei para o teto e fiquei observando pequenos defeitos, que o tempo faz questão de mostrar. Engraçado que os mais evidentes, estão bem próximos da lâmpada.

Voltei os olhos então para a parede, e percebi que as imperfeições não tão visíveis quanto as do teto. "Estranho..." - pensei sozinho (como se já não fosse estranha essa análise).

Voltei então os olhos para a tela em branco e algo me fez começar a escrever esse texto. Talvez uma conversa do ano passado, talvez a empolgação por uma boa notícia dessa semana. Talvez o cansaço do dia de trabalho, talvez a chateação por algo que não vai dar mais certo.

Mas ai volto a me perguntar sobre as imperfeições no teto.

Abro uma cerveja, guardada a alguns dias na geladeira e o primeiro gole parece me fazer relaxar de toda aquela tensão.

Resolvo colocar uma música...essa aqui. E volto a olhar pro teto.

Percebi que realmente é muito mais perceptível as imperfeições do teto. Mais claras ainda aquelas próximas da luz.

Ai não sei porque, me lembrei de uma conversa com uma sábia amiga que me disse que as pessoas iluminadas tendem a sofrer mais, pois absorvem até mesmo aquilo que não querem.

Voltei a olhar pro teto. Tomei mais um gole.Vim aqui escrever que na verdade, não me sinto essa pessoa iluminada. Porra, fazer o bem é algo fora do comum agora?

Mas com relação aos defeitos, isso com certeza é algo com que me identifico. Assim como todos nesse mundo, tenho lá os meus. Mas é algo incrível como quando estamos em evidência, assim como as qualidades, esses defeitos ficam também mais evidentes.

Assim como o teto. A tinta, que está ali, deve ter pelo menos uns cinco anos de uso...e o branco ainda continua branco. Os defeitos, devem ter algo com a luz e nem parei para pesquisar isso. A questão é que já aguentei algumas pedras que tacaram na minha vidraça...e olha que não foram poucas.

Mas parece que as pedras que mais nos racham, são aquelas que vem de dentro. E essa reflexão com relação ao teto meio rachado e ao que vivo nesse atual momento representa muito de como o meu pensamento mudou com relação ao mundo.

Só que esse é um mundo que amo demais de paixão e antes de não querer desistir dele, não vou desistir é de mim! Afinal de contas, escolher do que ou de quem devemos desistir deve ter muito peso com relação a reciprocidade de tudo o que se vive.

E olha, ultimamente, mesmo tendo os meus defeitos mais à mostra do que nunca, parece que me sinto esse teto rachado.

Mais legal ai é saber que a hora que quiser (ou alguém vir fazer a gentileza), só uma mão de tinta já colocará tudo como novo de novo. Mesmo com defeitos, ainda serei o teto esponja mais branco dessas bandas.




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