12 agosto 2013

Resenha | O Homem de Aço

E voltando a falar de filmes no Desventuras...
...já aviso a todos que vou desenterrar muita coisa que estão nos rascunhos desse singelo blog. Mas vamos voltar em grande estilo já que adianto: O Homem de Aço é um grande filme!

Desde o segundo filme, onde Christopher Reeve fez história com a capa vermelha, nenhum outro filme (até mesmo as outras duas sequências com Reeve) do Superman conseguiu o mesmo exito. A tentativa de Bryan Singer (Superman Returns, 2006), que eu particularmente gostei, teve sim um ponto que fez falta: as homenagens ficaram muito presentes mas sem o impacto necessário para que novas gerações tomassem parte do grupo de fãs do kriptoniano.

Após o boom que foi a trilogia Batman feita por Christopher Nolan, a Warner, vendo a Marvel crescer cada vez mais com as suas investidas sempre acertadas no cinema (que o diga Os Vingadores...que nem falei dele ainda por aqui), deu carta branca que ele produzisse o retorno do Super-Homem ao cinema. Embasado na visão realista que inseriu em Batman, Nolan convocou Zack Snyder, que depois do excelente, mas incompreendido, Sucker Punch, para compartilhar esse retorno.

E na minha opinião, a escolha não poderia ter sido mais acertada. Depois de 300 (muito bom) e Watchmen (sensacional), Snyder provou ao mundo que tem o feelling do que é trazer os quadrinhos para a telona.

Na dosagem certa de humanização, quando vemos um Clark em busca do "eu interior" ou até mesmo nos flashbacks mostrando a descoberta dos seus poderes em Smallville (e que pra mim trouxe até o mesmo ar da série de mesmo nome e que todo mundo parece que ignora) e fantasia, com lutas sensacionais e sequências de tirar o fôlego (a destruição de Krypton) mostram que Nolan manja dos paranauê. Deixar nas mãos de outro diretor, que teve a humildade de admitir que não pode cometer erros do passado, foi totalmente acertada, apesar das críticas iniciais.

Vemos na direção de Snyder um diretor que não deixa seu estilo tomar conta por completo do filme. Você não vai ver nos filmes anteriores dele, sequência que alternam entre passado e presente tão bem amarradas como vemos aqui.
Mas é claro que tudo isso se perderia se não tivéssemos um elenco que, por assim dizer, não deixa a peteca cair. De desconhecido a astro mundial, Henry Cavill (Clark Kent/Kal-El) assume o manto e transparece de maneira verossímil a angústia que qualquer ser humano sentiria rumo a descoberta de suas raízes. E como Superman assume de maneira única, não dando espaço para comparações com Christopher Reeve, o fato de que ele é tão humano quanto qualquer terráqueo.

Contudo, o que mais me impressionou no filme foi como o elenco de apoio em muitos momentos, se destaca até mais do que o seu ator principal. Russel Crowe está excelente como um Jor-El que também não corre risco de ser comparado à Marlon Brando. E com a diferença principal de que vemos de fato que não mede esforços para salvar seu filho. Ayelet Zurer como Lara também mostra essa mesma força quando chega a hora de se separar de seu filho e mandá-lo rumo ao desconhecido.

São cenas como essas que nos aproximam e que refletem a intenção de Nolan em trazer os quadrinhos para algo mais próximo da realidade.

Completando o núcleo que define o caráter de Clark, temos Kevin Coster como Jonathan Kent, mostrando o bom ator que vimos no início dos anos 90, e Diane Lane como Marta Kent completando o quarteto que define o tom do filme.

Alguns falam que Nolan exagera nessa construção moral em seus filmes. Eu já discordo totalmente. Aos que conhecem a história do Superman, é fato que o maior dilema que Clark enfrenta é o medo em não ser aceito. E ter dos dois lados (Jor-El e Lara/Jonathan e Marta) exemplos fortes o suficiente para lhe provar que o caráter de alguém é moldado em bons exemplos e boas atitudes, traz para a realidade do mundo atual, tão solitário e individualista, a necessidade de reflexão sobre o que estamos fazendo pra melhor o mundo. Precisamos de um extraterrestre para nos mostrar que temos algum valor?
E como principal suporte dessa base moral, temos a paixão de Clark, Lois Lane. Assim como em todos os outros filmes de Nolan, fica no ar o sentimento de ambos durante quase todo o tempo da película. A eficiente Amy Adams dá vida a uma Lois por vezes moralista, mas que não chega a estragar o clima até por se tornar o ponto de apoio em meio a ameaça que o General Zod traz.

Zod, interpretado pelo sempre ótimo Michael Shannon, transmite toda a vontade de um militar que está disposto a tudo para salvar Krypton e tem na paixão pelo seu povo até alguma justificativa para suas ações.

Em meio a esse turbilhão de acontecimentos e fatos, temos no final um filme dento de um filme (A Origem?). A busca de um ponto de decisão. O futuro de um homem que assim como qualquer um de nós, tem medo do desconhecido. Tudo isso poderia causar dúvidas e até mesmo uma mudança no comportamento de Kal-El, mas assim como o "S", a esperança é o que move esse homem, que apesar de não ser daqui, mostrar ter muito mais humanidade do que muitos de nós.
Filmaço e que com certeza é a oportunidade perfeita para a DC finalmente acordar (se é que a trilogia Batman não foi suficiente) e dar o tratamento adequado aos heróis que o mundo já conhece tão bem...só precisamos ver isso de uma maneira descente na tela grande.

obs: não ia esquecer de citar Lawrence Fishburne que tem uma participação de coadjuvante como Perry White, muito bacana.

Avaliação do Alter Ego:


Trailer:


Ficha Técnica:
O Homem de Aço (Man of Steel) - 2013 - 143 min. - EUA - Ação/Ficção Científica
Direção: Zack Snyder
Roteiro: Christopher Nolan, David S. Goyer
Elenco: Henry Cavill, Diane Lane, Amy Adams, Michael Shannon, Kevin Costner, Ayelet Zurer, Russell Crowe, Harry Lennix, Lawrence Fishburne, Christopher Meloni, Antje Traue, Richard Schiff
Site Oficial: http://wwws.br.warnerbros.com/manofsteel/index.html?home



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