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6 de março de 2017

Resenha | Logan

Nota: esse post está originalmente no meu novo projeto com meu amigo Mario Vianna, o Manguaça Nerd. Dá uma passada por lá! =)

Desde o momento em que decidi escrever sobre os filmes que assisto, tenho percebido que o comprometimento comigo mesmo na atenção desprendida para essa atividade tem evoluído com o passar dos anos.

Não, não quero e nem vou tentar ser um crítico pé no saco que caga regras de como um filme deve ou não deve ser feito. Tenho sim gosto duvidoso para alguns filmes que considero "obrigatórios" e talvez, o que tenha de opinião nessa resenha, não vá de encontro a muitas das opiniões sobre esse filme.

Mas fato, é que um olhar diferenciado sempre foi necessário para aqueles que gostam de histórias em quadrinhos. Muitas das histórias coloridas e cheias de onomatopeias escondem em seu cerne, histórias que muitos filmes tidos como "ganhadores de Oscar" não superam. Contudo, como muitos dos rótulos que a nossa sociedade insiste em criar, as histórias em quadrinhos, ou HQs para os íntimos, foram tachadas como "coisa de criança".
Décadas de histórias incríveis se passam e eis que chegamos aos anos 2000, onde a Fox, depois de uma negociação que salvou a Marvel, adquiriu os direitos de uma série já bem conhecida do público no só dos quadrinhos, mas também dos desenhos animados, que causou muita comoção em sua estréia. E o primeiro passo foi dado para o que hoje se conhece como o "universo dos super-heróis" no cinema. Fato é que muitos erros e poucos acertos foram alcançados não só pela Fox, mas pela própria Marvel, Sony e Warner (universo DC) e hoje, temos de certa forma, e aos trancos e barrancos, um segmento já consolidado.

Mas, como todo segmento, chega um momento em que as ideias, que já não são 100% originais, acabam por se tornarem genéricas e causam incomodo aqueles que já conhecem esses universos, esses personagens. Arriscar algo seria necessário, e o primeiro passo foi dado por essa mesma Fox, que arriscou com "Deadpool" e mostrou que haveria uma outra maneira de mostrar os heróis de uma maneira mais adulta e madura.

Afinal de contas, um universo com riquezas de enredos e temas dos mais variados, não deveria se limitar somente ao velho contexto "do bem contra o mal". Warner, Marvel e Fox se arriscaram (oi, Sony?) e o que encontramos em filmes como "Batman vs Superman", "Capitão América: Soldado Invernal" e "Deadpool" arriscam em mostrar os heróis por uma ótica mais "realista" e que fazia jus ao histórico desses personagens em suas respectivas HQs.
Então, chegamos a Logan!

A necessidade de acerto em filme dos X-Men era mais do que urgente. O fiasco que foi "X-Men: Apocalipse", após um reboot de sucesso, mostrava que a fórmula usada já não estava funcionando. Era preciso ir além. Então, o diretor James Manglod, que já havia trazido para a franquia um ar diferenciado em "Wolverine: Imortal", resolveu arriscar ainda mais.

Vendo no sucesso de "Deadpool" uma brecha para mostrar que era possível um enredo mais pesado, e tendo como base para o roteiro uma das HQs mais aclamadas do personagem, se deu início ao filme que, conseguiu com uma autenticidade única, e se coloca nesse seleto grupo de filmes que redefiniram esse novo gênero tão querido de Hollywood.

Sim, já digo antes de qualquer coisa que "Logan" (2017) é um dos melhores filmes de super-heróis já feitos, e não só isso: um dos melhores filmes do ano com toda certeza!
Não só do ano. Arrisco ainda dizer que toda a construção de roteiro feita para esse filme o coloca em um patamar totalmente diferente. Não é só a violência visceral, que mostra não só o sangue que jorra a cada ataque das garras de Logan, mas também a violência psicológica que anos de batalhas causaram ao velho X-Men.

O ano é 2029. Já não existem grupos de mutantes usando roupas coladas lutando contra o vilões nas ruas das grandes cidades. A luta, dos que sobreviveram aos anos de perseguição e batalhas, agora é diária e tão corriqueira como a de qualquer humano.

A marcas desses anos são perceptíveis em Logan (Hugh Jackman, em seu canto do cisne) e o trabalho de motorista de limousines é algo que ainda causa certo problemas, mas em uma sociedade totalmente afundada em uma melancolia profunda, se torna nada. A fuga de um passado marcado não só em seus pensamentos, mas agora também na pele, já que o seu fator de cura não é mais o mesmo, é constante e cansativa.
E o que se percebe, é que esse não é filme sobre salvar o mundo. E não é o mundo que está melancólico. Logan, não mais o Wolverine, é que deve lutar. Pela sobrevivência. Uma luta diária e tem como parceiros nessa nova luta, Caliban (Stephen Merchant), que se redimiu de seu passado e ajuda nos cuidados de um Professor Xavier (Patrick Stewart, também em seu canto do cisne) esquizofrênico e que também sofre com os fantasmas do passado.

A viagem que o filme joga o espectador, não é só pelas estradas que os personagens percorrem. Mas também, pelo entendimento das angustias, os pesadelos e traumas que movem os outrora heróis, para um destino desconhecido.

Mas, essa luta que não é mais entre o bem e o mal, e sim interna, acaba sendo interrompida quando a garotinha Laura (Dafne Keen) cruza o caminho deles e eles se veem compelidos a ajudar a garota a chegar em um lugar chamado Éden.
Laura, como acabam descobrindo, é um dos vários experimentos que a empresa liberada pelo Dr. Zander Rice (Richard E. Grant) andou fazendo com o DNA de vários mutantes, e Laura acaba sendo o resultado da utilização do DNA de Logan. Como codinome, lhe foi dado o X-23.

Para a captura da fugitiva, somos apresentados grupo paramilitar que trabalha para a companhia de Rice, liberados pelo ciborgue Donald Pierce (Boyd Holbrook). Apresentados os personagens, somos inseridos em um road movie que entrega um dos roteiros mais consistentes e coeso entre todos os filmes dos X-Men.

O trabalho feito por Mangold em parceria com a dupla Michael Green e David James Kelly, bebeu de uma fonte super aclamada, mas apenas no conceito de filme de estrada e a ideia que Mark Millar desenvolveu em "Velho Logan". Mas mais do que isso, pegou o material que os filmes da série entregaram, e como um guia, contaram uma história, robusta, adulta e a muito pedida pelos fãs.
Era muito importante que Jackman e também Patrick Stewart, deixasse esses personagens de forma ímpar. E a atuação da dupla, prova que entre os maiores acertos de toda essa franquia, a escalação desses dois está nessa lista.

Por se tratar de um filme intimista, a apresentação de uma nova persona para esse mundo mutante até pode soar estranho. Mas em meio ao adeus, o olá de Dafne Keen a esse mundo é muito, mas muito bem-vindo. Impressiona como em meio ao peso de algumas cenas, a garota entregue tanto, ou talvez até mais, em alguns momentos, vontade e verosimilhança.

Um filme que mostra a verdadeira essência desses personagens. Pois a palavra herói, por mais que seja dita muitas vezes com algo já passou, ainda lateja nas atitudes e ações de Logan. O futuro distópico desse universo, se mostra tão real que impressiona.
Nesse conjunto de fatores positivos, talvez o único ponto a ser colocado em questão seja um só: O PORQUE DIABOS DEMORARAM TANTO TEMPO PARA TER A CORAGEM DE UMA CENSURA MAIS ALTA?

É um fato que se mostra totalmente a favor de uma necessidade que o personagem sempre teve. Os fãs dos quadrinhos que conhecem o personagem até melhor do que esse que vos escreve podem afirmar com mais propriedade, mas fato: a censura maior só favoreceu o filme.

Não pela violência pela violência. Mas pelo contexto em que essa violência se apresenta. E James Manglod foi o diretor, que já havia riscado a superfície na tentativa anterior, agora entrega o Wolverine e o Logan que há tempos todos queríamos ver.

Um filme obrigatório. Não só aos que são fãs dos X-Men, não só aos que são fãs de quadrinhos, mas a todos que gostam de um bom filme. Logan é um filme que aborda a luta de um homem, que assim como todos, luta diariamente para ir busca daquilo que acredita. Ele ser um mutante já em final de carreira como protagonista é só um detalhe.

Mas olha, vou te confessar: é um BAITA detalhe. Faça-se o favor então, e vá ao cinema hoje ver Logan.

AVALIAÇÃO DO ALTER EGO:

TRAILER:
Aqui e aqui.

FICHA TÉCNICA
Logan - 2017 - 135 min. - EUA - Ação/Drama
Direção: James Mangold
Roteiro: Michael Green, Scott Frank, James Mangold
Elenco: Hugh Jackman, Dafne Keen, Patrick Stewart, Richard E. Grant, Boyd Holbrook, Stephen Merchant
Site Oficial: http://www.foxmovies.com/movies/logan



22 de janeiro de 2017

Resenha | Rogue One: Uma História Star Wars

Nota: esse post está originalmente no meu novo projeto com meu amigo Mario Vianna, o Manguaça Nerd. Dá uma passada por lá! =)
Emoção. Empolgação. Satisfação.

Essas três palavras parecem um exagero para aqueles que não entendem o quão importante um história pode mudar a sua vida. Ou até mesmo para aqueles que nunca tiveram algo que parecido com uma paixão. Sei lá, é parecido quando escuto de algumas pessoas que não gostam de música. Como elas conseguem viver assim?

Pois bem, para boa parte dos amantes da cultura pop, Star Wars é (talvez junto com Star Trek) um guia de tudo aquilo que se pode ter de referência boa. Existem aqueles que dizem que é uma história boba e sem sentido, mas para aqueles que gostam, se apaixonam e isso realmente passa despercebido quando se escuta aqueles primeiros acordes eternizados pela trilha de John Williams.
É algo único, icônico e que já foi eternizado. Algo sem precedentes na história do entretenimento. E isso, só quem vive nesse mundo irá entender.

O que mais importa é que a obra de George Lucas sempre será lembrada pela sua essência que talvez nos dias de hoje esteja até meio que perdida. O resgate desse sentimento veio com o último episódio da tida como história principal da série, e o "Despertar da Força" conseguiu resgatar essa aura de aventura e esperança de que o bem sempre vencerá o mal que tanto buscamos nos episódios da nova trilogia.

Mas ai que chegamos a esse que entra com certeza no top 3 de melhores filmes. E pronto. Talvez isso só mude se os próximos filmes (episódio VIII chega daqui um ano mais ou menos) conseguirem um mix entre o que foi apresentado por JJ Abrams e agora, por Gareth Edwards.
De cara, já posso dizer que o maior e grande acerto do filme é trazer o fator guerra para um filme que traz em seu nome essa denominação. Mas é fato, que a guerra de fato, pouco havia sido retratada nos outros sete filmes da série. E talvez colocar Rogue One como um filme "spin-off" seja a maior injustiça para o filme.

"Rogue One: Um História Star Wars" é mais do que isso. Tem o espírito, a força (sem nenhum trocadilho) e o clima de um verdadeiro filme Star Wars. É um episódio 3.5 com toda a certeza. A história é algo que nós já conhecemos: a ação dos Rebeldes para roubar os planos da arma mais poderosa do Império, que é a Estrela da Morte.

Mas quem são esses heróis? Quais os rostos e personalidades daqueles que foram os primeiros grandes nomes de uma história que acompanha a família Skywalker, mas que se mostra muito mais do que um drama familiar, e sim, um drama de uma sociedade, que deve se erguer e lutar contra os males que acabam surgindo.
As relações com política e religião sempre foram muito fortes na série, e elas estão todas aqui, escancaradas. E isso é feito da mesma forma que a série sempre fez: totalmente justificada em seu enredo. Mas como um filme de guerra, Rogue One não perde tempo em apresentar nada mais do que a sua personagem principal, que é o fio condutor de tudo o que resume a série: a mudança de uma pessoa que não se posicionava (politicamente) e não acreditava (fé?) na mudança. Mas eis que percebe que a mudança, tem que partir de ações. E são essas ações que trarão de volta a esperança de que as coisas podem melhorar...certo?

Jyn Erso (Felicity Jones) é esse fio condutor. Filha de Galen Erson (Mads Mikkelsen), a mente por trás da Estrela da Morte. Após o rapto de seu pai a mando do Almirante do Império, Orson Krennic (Ben Mendelsohn), para que os planos da construção dessa arma prossigam, Jyn precisa crescer para ser uma guerreira mesmo sem querer.
Como um "guia" e seu protetor nessa jornada forçada, Saw Guerrera (Forest Whitaker), o líder de uma aliança Rebelde extremista, acaba cuidando da garota, até que ela possa seguir seu próprio caminho. E quando a Aliança Rebelde encontra Jyn, ela é "convocada" para a missão de "resgatar" seu pai. Como responsável pela missão, temos Cassian Andor (Diego Luna) e seu parceiro, o K-2SO (Alan Tudyk), que foi reprogramado por Andor para se tornar um androide badass e que é muito útil em suas missões pela Aliança.

E à partir desse momento, Star Wars entra em um ambiente que nunca havia sido explorado. Um ambiente de guerra. Um ambiente que você conhece, mas que nunca foi mostrado da forma como se vê em Rogue One. É um fan service atrás do outro. Alguns mais explícitos que outros, mas reconhecer fica fácil para aqueles que já conhecem esse mundo.
A missão que estava seguindo para um caminho, de repente toma um outro sentido. Jyn precisa se posicionar. Precisa acreditar. Precisa se tornar aquilo que ela nunca quis ser. Mas as entrelinhas dessa história são uma das coisas mais belas e fortes que qualquer outro filme da série. Existe uma urgência. E é uma urgência tão palpável, que você entende que o fato de seus personagens não serem tão explorados justifica-se pelo motivo de que estamos vendo uma guerra.

E na guerra, não há espaços para mais explicações. Você sente que o episódio IV está logo ali. E o filme sabe disso. O roteiro é orgânico e trabalha para que, mesmo aqueles que não conhecem nada de Star Wars, entendam que porra é séria e que é preciso agir logo.
E o grupo formado pelas circunstâncias, é o mais incrível que já vi em um filme. Não bastasse a redenção de Andor, em acredita em algo além do que a guerra lhe trouxe de ruim, temos a absolvição de um piloto desertor, Bohdi Rook (Riz Ahmed), que tem um papel muito relevante pro desenrolar do eventos. Temos uma dupla de apostos que se completam de uma forma orgânica e que mesmo com crenças diferentes, Chirrut Imwe (Donnie Yen) e Baze Malbus (Jiang Wen) mostram que a combinação entre força e fé funciona quando o objetivo é único.

O trabalho feito por Chris Weitz e Tony Gilroy, surpreende pela objetividade, algo tão em falta na nova trilogia. Mas nada disso funcionaria se a mão de Gareth Edwards não estivesse tão afiada. Percebe-se um carinho, um cuidado e uma precisão que talvez tenha faltado em algum momento para JJ Abrams no mais recente episódio.

O impacto de algumas cenas, despertam os sentimentos mais diferentes. Foi incrível ver uma sala de cinema lotada, encantada pela beleza de algumas tomadas. E o CGI sempre bem aplicado, e até surpreendente em algumas cenas, mostra que é possível o equilíbrio perfeito para a série de efeitos práticos e efeitos em computação.
O filme, que já chegaria perfeito desde de seu primeiro trailer, guarda seus melhores momentos para o final. Os aplausos e gritos foram poucos para o impacto que ele causa. E ai, o mix daquelas três palavras que citei no início desse texto, explode no peito daqueles que são fãs, contagiam aqueles que estava ali pela curiosidade ou apenas para diversão.

E é isso que Star Wars é.

Apenas vá ao cinema e assista Rogue One. Como escrevi após a sessão:
Ahh é, e ainda tem Darth Vader para o deleite dos fãs.
Mas na boa, isso é só a cereja do bolo! E que bolo!

Se o objetivo da Disney, com esse primeiro movimento em prol de expandir o universo mágico de George Lucas, era causar uma boa impressão, PUTA QUE O PARIU, objetivo mais que concluído.

Obrigado George Lucas! Obrigado Disney!

Avaliação do Alter Ego:

Trailer:

Ficha Técnica:
Rogue One: Uma História Star Wars (Rogue One: A Star Wars Story) - 2016 - 133min - EUA - Aventura/Ação/Ficção Científica
Direção: Gareth Edwards
Roteiro: Chris Weitz e Tony Gilroy
Elenco: Felicity Jones, Diego Luna, Ben Mendelsohn, Donnie Yen, Mads Mikkelsen, Alan Tudyk, Riz Ahmed, Jiang Wen, Forest Whitaker
Site Oficial: http://br.starwars.com/



15 de dezembro de 2016

Resenha | Dois Caras Legais

Nota: esse post está originalmente no meu novo projeto com meu amigo Mario Vianna, o Manguaça Nerd. Dá uma passada por lá! =)
O cenário é o seguinte: você está de férias, milhares de coisas (nerds) a serem feitas, mas a única coisa que você precisa é...bom, como dizem os jovens, ficar de boa!

Já é madrugada, o bloqueio criativo já bateu a porta. Ok, hora de parar. Então, naquela navegação aleatória que você, eu e todo mundo que tem Netflix sempre faz (que nunca né?) lembra da dica que leu naquele site e daquele cara que você acompanha.
Claro que quando quando vejo o nome de Shane Black, me lembro logo daquela lástima que foi "Homem de Ferro 3". Mas ai, me lembro também que o cara criou uma das franquias mais legais do cinema. E de certa forma, "Dois Caras Legais" tenta emular a fórmula que trouxe o estrondoso sucesso que os quatro filmes da série "Máquina Mortífera" tiveram nos cinemas.

Na Califórnia dos anos 70, a trama cheia de subjetividades na verdade busca apenas divertir o espectador com uma trama pouco convencional. Na verdade, Shane tenta resgatar um gênero que há tempos estava esquecido, e que ele mesmo popularizou: a comédia de ação.

Não, não tenha em mente nenhum dos besteiróis lançados por algum serviço de streaming famoso. O que Shane busca com dois caras legais é um humor que diverte de forma elegante, mesmo que às vezes pareça escancarada demais para os padrões politicamente corretos da época (hoje, ou os anos 70?), mas o surrealismo da trama se encontra com uma realidade que mudaria o rumo do país, mas que conversa diretamente com os dias atuais.

Mas o filme não é para reflexões sobre cenários políticos. É para a sua pura e simples diversão! Ou como estava procurando, ficar de boa!
No filme, vamos acompanhar Holland March (Ryan Gosling), um detetive particular que apesar do seu talento, está meio de saco cheio com tudo o que rola ao seu redor e só tem a filha Holly (Angourie Rice) como única inspiração para continuar "fingindo" ser um detetive particular. Com a falência batendo a sua porta, aceita o serviço de encontrar uma atriz pornô que sumiu.

Do outro lado da corda, temos Jackson Healy (Russell Crowe), que é contratado justamente para impedir que March não prossiga com sua investigação. Mas é quando os caminhos dos dois se cruzam, que a história começa a mostrar reviravoltas que dão mais voltas que o necessário, mas que obrigam aos dois a formarem uma dupla (ou trio) improvável para descobrir qual é a verdade.

É o mesmo roteiro que você já viu em alguns outros filmes. A diferença aqui está na execução.
Desde a ambientação dos anos 70, com uma direção de arte que caprichou nos cenários e figurinos, com os detalhes nos ambientes, sejam eles internos, com a mobília caracterizada fielmente, até os externos, com figurantes e cenários retratando muito bem a época.

O roteiro ágil e divertido, me fez pensar o porque o terceiro filme de Tony Stark não teve metade da ácidez e ousadia que esse teve. Seria interessante ver essa linguagem incorporada na atuação de Robert Downey Jr. como um Homem de Ferro mais seguro do que o traumatizado que foi apresentado. E a sua direção não inventa. Sem malabarismos e estrelismos, cumpre bem a sua função.

Mas nada disso funcionaria se o elenco não segurasse a bronca e olha, graças a atuação segura do elenco é que o filme funciona. Claro que o destaque maior, seria para sua dupla principal. Me surpreendeu ver Ryan Gosling e Russell Crowe fazendo graça.

Depois de tantos papéis dramáticos e tensos, ver esses dois grandes atores com um timing de comédia beirando a perfeição, foi muito interessante e divertido! Contudo, o destaque maior vai para a gracinha que é Angourie Rice. A mocinha se destaca como uma coadjuvante que brilha em meio a dupla principal, arrancando boas risadas durante o filme.
É um filme que é um acerto após o outro.

Sério, assim como Kingsman, é aquele filme que me arrependi de não ter visto antes. E fiquei mais chateado ainda por não ter tido o sucesso e o reconhecimento que deveria. Talvez agora na Netflix o filme encontre seu lugar ao sol, que merecidamente deve achar.

E olha, se tem uma coisa que "Dois Caras Legais" merece é reconhecimento. Porque as risadas são garantidas!

Avaliação do Alter Ego
 


Trailer

Ficha Técnica:
Dois Caras Legais (The Nice Guys) - 2016 - 116 min. - EUA - Ação/Comédia
Direção: Shane Black
Roteiro: Shane Black, Anthony Bagarozzi
Elenco: Russell Crowe, Ryan Gosling, Angourie Rice, Matt Bomer, Margaret Qualley, Keith David, Kim Basinger
Site Oficial: http://www.theniceguysmovie.com/



15 de novembro de 2016

Resenha | Kingsman - Serviço Secreto

Quando vi o primeiro trailer de Kingsman, pensei imediatamente em mais um daqueles filmes que caça-niqueis que se aproveitam de algumas ideias bacanas e copilam em um filme sem graça e sem sentido. Cara, como eu gosto de me enganar algumas vezes.

É um daqueles exemplares em que ao subir dos créditos, me perguntei: porque não vi esse negócio antes! E o mais engraçado: as ideias mais bacanas já usadas estão lá. E isso é muito bom. Sério, muito do que é feito em Kingsman se dá culpa ao balanço perfeito entre tudo o que os filmes de espionagem e super-heróis já criaram.

E Matthew Vaughn sabe como usar isso da melhor maneira possível. São três ou quatro cenas, incluindo a já clássica cena da igreja, que mostram que o talento de Vaughn vai muito além do surpreendente Kick-Ass (2010) e do excelente X-Men: Primeira Classe (2011).
Coincidência ou não, Kingsman também é fruto de uma HQ. E a criação de Dave Gibbons e Mark Millar (também criador de Kick-Ass) não poderia estar em melhores mãos. Na verdade, a vontade que me surgiu foi a de ver todos os filmes de super-heróis nas mãos de Vaughn.

O tratamento, tanto nas cenas de diálogos, tanto nas cenas de ação, parecem ter sido tiradas diretamente das páginas dos quadrinhos. E claro que nada disso funcionaria se o elenco não fosse tão competente.

No filme, acompanhamos Eggsy (Taron Egerton), um jovem indisciplinado e que vive à beira da criminalidade. Contudo, um dia, seu destino se cruza com o de Harry/Galahad (Colin Firth), que não por acaso, lhe apresenta a Kingsman, agência de espionagem britânica que segue as riscas os costume do "ser um gentleman" e combate o crime da forma mais elegante possível...sempre!
Após descobri mais sobre a agência e ser recrutado por Harry, ou melhor, Galahad, para substituir um agente morto em ação, ele vai passar por um processo de treinamento para se tornar um Kingsman. Em paralelo a isso, Galahad tentará impedir os planos de Valentine (Samuel L. Jackson), um vilão em ascensão com planos de dominação mundial através da tecnologia que seus bilhões são capazes de criar.

O que poderia se tornar mais do mesmo, se torna uma das melhores adaptações de uma HQ e também um dos filmes mais divertidos das últimas décadas. Sério, Kingsman se torna um clássico moderno justamente por mostrar que sabe de onde veio. E melhor ainda: sabe para onde vai. Colin Firth entrega um agente secreto que dá inveja a muito Bourne, Hunt ou Bond.
É incrível como o ator se dedica ao papel e entrega um dos personagens mais classudos e bacanas dos filmes de ação. E claro que o garoto Taron Egerton também se esforça, com muito sucesso, em entregar um Eggsy que mostre de forma convincente como a transformação de um garoto do gueto inglês em agente secreto pode ser plausível e bem construída.

E o que dizer de Samuel L. Jackson? Valentine é talvez o papel em que o ator mais se diverte! É palpável o tamanho da alegria que ele entrega a um personagem que mescla o desprezo e ironia que um vilão competente deve entregar. E claro que Sofia Boutella, que interpreta a capanga Gazelle, não fica atrás e entrega forma uma dupla tão competente quanto a dupla de heróis.

É necessário dizer também que até mesmo os coadjuvantes Mark Strong, que interpreta Merlin, uma espécie de "suporte" e guia aos Kingsman, Michael Caine, como o chefe-mor Chester King/Arthur da Kingsman e Sophie Cookson como Roxanne "Roxy" Morton, ajudam ao filme a ganhar mais profundidade e trazem mais qualidade ao filme.
Mas mais do que um filme de ação incrível, Kingsman ainda tem tempo para questionar os rumos da nossa atual sociedade. A tecnologia usada por Valentine para seu plano é uma verdadeira alfineta nas dependências que criamos e temos.

E na melhor do que em tempos modernos, termos um filme que tem a coragem de trazer reflexão em meio a ação, sangue e pancadaria!
Assista Kingsman. Não faça igual a mim. Não espere. Assista Kingsman hoje!

Avaliação do Alter Ego:

Trailer:

Ficha Técnica:
Kingsman - Serviço Secreto (Kingsman: The Secret Service) - 2014 - 129 min. - Reino Unido - Ação
Direção: Matthew Vaughn
Roteiro: Jane Goldman, Matthew Vaughn (baseado na HQ de Mark Millar e Dave Gibbons)
Elenco: Colin Firth, Samuel L. Jackson, Mark Strongm, Taron Egerton, Michael Caine
Site Oficial: http://www.kingsmanmovie.com/



13 de novembro de 2016

Resenha | 007 Contra Spectre

A "trilogia" de Sam Mendes prova que o agente da MI6 ainda tem muito, mas muita lenha pra queimar, mas...

...a sensação que fiquei foi a de que já deu pro Daniel Craig. Com uma cena inicial que chega a ser tão bacana quanto a cena inicial de Cassino Royale, o filme segue por uma linha que reflete na atuação sem inspiração do seu ator principal.
Partindo de onde Skyfall parou, Bond está de "férias" e na Cidade do México, durante as festividades do Dia dos Mortos, o agente interrompe sua folga impedindo o que seria uma ataque terrorista. Mas além disso, busca informações sobre os acontecimentos que repercutem até o momento na sua vida e na sua agência (sem spoilers de Skyfall...vejam!).

Retornando as atividades oficiais, acaba suspenso pelo novo M (Ralph Fiennes) e de certa forma, "livre" para seguir com sua investigação que o leva a revelações e mais revelações sobre seu passado recente. Após receber ordens da falecida M (Judi Dench), Bond descobre a existência de uma organização chamada Spectre.

À partir daí, o filme segue a regra básica e "feijão com arroz" dos filmes do agente. Bond segue seu caminho já conhecido: conhece uma linda mulher (Monica Bellucci), a seduz e consegue as informações que precisa. Recruta alguns aliados, nesse caso, Moneypenny (Naomie Harris) e Q (Ben Whishaw), e conhece um novo interesse amoroso, nesse caso a médica Madeleine Swann (Léa Seydoux) que claro, vai ajuda-lo no meio do caminho.
E mesmo com um velho novo vilão, chamado Franz Oberhauser (Christoph Waltz), os velhos traumas de Bond ainda o assombram. E mesmo com uma previsível conclusão, Spectre diverte por todas as referências aos clássicos filmes. Infelizmente nada mais do que isso.

Nem mesmo a presença de Waltz como um clássico velho da franquia empolga mais do que o normal. A verdade, é que me incomoda muito a mudança de atuação de Craig. Depois de uma verdadeira montanha-russa de sentimentos e uma atuação firme e convicta, fica claro a ligada de "piloto automático" na interpretação de 007.
De fato, talvez seja a hora de uma mudança. Tanto no ator que interpreta Bond quanto na direção. Essa volta as origens foi a melhor coisa feita na série desde sua criação, mas a mão de Sam Mendes parece que se perder em meio a falta de ousadia e coragem, que lhe sobrou em Skyfall.

Por se tornar um filme comum, qualquer filme de James Bond acaba desapontando, mas Spectre é em geral, um bom filme. Mantém o ritmo desse Bond do século XXI, mas sem esquecer de onde veio. E isso é muito bom. Resta agora aos produtores a coragem necessária para ousar..não só em uma história que tenha a consistência um Cassino Royale, mas a ousadia de um Skyfall.

Afinal de contas, até mesmo 007 precisa de algo mais que só uma licença para matar.

Avaliação do Alter Ego:


Trailer:

Ficha Técnica:
007 Contra Spectre (Spectre) - 2015 - 148 min. - Reino Unido - Ação
Direção: Sam Mendes
Roteiro: John Logan, Neal Purvis, Robert Wade, Jez Butterworth
Elenco: Daniel Craig, Christoph Waltz, Léa Seydoux, Ben Whishaw, Naomie Harris, Dave Bautista, Monica Bellucci, Ralph Fiennes
Site Oficial: http://www.007.com/spectre/?lang=pt-br



2 de maio de 2016

Resenha | Capitão América: Guerra Civil

Essa talvez seja a resenha mais fácil que já escrevi...
...porque daria pra resumir em uma frase o que você vai ler a seguir: Capitão América: Guerra Civil é o melhor filme da Marvel e uns dos melhores filmes baseados em quadrinhos de todos os tempos!

Como chegamos a isso? Talvez isso se explique pela forma com que o roteiro magistral escrito pela dupla Christopher Markus e Stephen McFeely conseguiu adaptar uma das obras mais importantes da nona arte, sem perder a essência da obra original, mas sem esquecer que existe um fio condutor no chamado MCU (Universo Cinematográfico da Marvel) e que ele deveria ser seguido. Pois uma coisa é certa: o material de inspiração, tem que ser lembrado somente pelo mote principal da trama, que é o pano político que envolve a questão dos limites entre liberdade e justiça. E o que poderia ser uma tremenda bola fora, de certa forma (e até por conta das circunstâncias do atual cenário dos filmes do estúdio), acabou por se tornar o maior trunfo.
A Marvel mostrou com esse filme que todo o seu universo cinematográfico, de fato, é uma linha totalmente diferente do que rola nos quadrinhos. E se em A Era de Ultron ela errou em mostrar que tudo está devidamente caminhando para um lugar em comum, em Guerra Civil temos apenas a sensação de que tudo sim, está indo para o mesmo lugar, mas nada comum! Seja pela maturidade de um roteiro que não arrisca em tocar em pontos que pouco foram tocados nos filmes anteriores do estúdio, seja pelo respeito a sua linha temporal na grande tela que claramente define um caminho sem volta para nosso heróis da Casa da Idéias. E esse é um caminho cada vez mais ousado!
Aviso aos navegantes: Guerra Civil é um filme pra poucos. Mesmo sendo um filme da Marvel, é um filme político, é um filme pesado em alguns momentos, e que se mostra leve nos alívios cômicos sempre presentes em seus filmes. Mas não até esses alívios são inseridos de maneira consistente. São mais de 02 horas de reprodução e você nem percebe, quando vê, os créditos estão rolando. E isso com certeza é muito, muito culpa dessa dupla de irmãos que com certeza, hoje, depois da saída de Jon Favreau, são os "meninos dos olhos" do estúdio. Os irmãos Anthony e Joe Russo consegue imprimir uma identidade única, trabalho excepcional que começou no filme anterior do Capitão (e que o bocó aqui não escreveu a resenha ainda...), Soldado Invernal.

E mesmo que eu considere Guerra Civil um "Vingadores 2.5", uma coisa fica clara: esse não é um filme dos Vingadores e sim, o terceiro filme de uma história que começou em Capitão América: O Primeiro Vingador (outra resenha em débito, sorry folks). É uma história de um cara que precisa lidar com os seus ideais e certeza de uma forma única e pessoal. O resultado disso acaba sendo a tal da
Guerra Civil em uma via muito mais ideológica do que nas vias de fato. Não que elas não ocorram, mas águas passam pela ponte antes disso ocorrer.
Assim como o filme anterior, Guerra Civil trata de questões políticas de uma forma tão realista e pesada quanto um "Bourne" ou um "James Bond" fariam. É um mundo onde cada ação tem sim uma consequência e essas ações estão sendo cobradas a nível mundial. Não é a questão de registro dos heróis que está em pauta. Todos já sabem quem são a maior parte deles. A questão é controle. O governo, depois dos acontecimentos dos filmes anteriores (sim, todos os DOZE filmes são colocados de certa forma no bolo), com destaque aos dois Vingadores e ao filme anterior do Capitão, deseja controlar o grupo e ao invés de deixar com que eles atuem sem nenhuma satisfação, que isso seja feito ao olhos de alguém designado pela ONU, que vai dizer onde e quando eles devem agir.

Sendo assim, a ideia principal da HQ se mantém preservada, pois essa decisão ou não de aceitar o acordo (nomeado de Sokóvia, a cidade devastada no segundo filme dos Vingadores é o que divide o grupo. O confronto ideológico, entre Steve Rogers (Chris Evans) e Tony Stark (Robert Downey Jr.), que de certa forma se segue desde o primeiro encontro dos dois, ganha aqui contornos definidos e talvez, definitivos. E isso é potencializado pelas ações de Bucky Barnes, O Soldado Invernal (Sebastian Stan) e que se torna parte do fio condutor da adaptação. As atitudes de Rogers, em querer provar que seu outrora amigo é inocente, transformam o grupo liberado pelo Capitão em foragidos que serão caçados pelo grupo de Stark que tenta, a princípio de forma pacífica, em vão mostrar que os heróis devem sim ser controlados.
Em meio a perseguição de Stark a Rogers, somos apresentados a uma das mais gratas surpresas desse filme: o Pantera Negra (Chadwick Boseman). Por conta das ações do Soldado Invernal, a entrada de T'Challa, rei de Wakanda na trama é feita com uma competência incrível e justifica de uma vez por todas a escolha da Marvel de lançar um filme solo (e agora muito aguardado) do herói. Se alguém tinha alguma dúvida, elas foram por água abaixo.

A habilidade dos irmãos Russo em fazer essas transições entre as duas histórias (e que o que as liga) e os vários personagens que aparecem em tela, é feita de uma maneira tranquila e sem problemas. O que me deixa muito tranquilo com a escolha dos dois para a direção do próximo filme dos Vingadores, Guerra Infinita, que promete reunir TODOS os personagens, já apresentados até aqui e que virão nos próximos anos. Claro, que o destaque da trama está no trio formado por Capitão América, Homem de Ferro e o Soldado Invernal, mas é incrível como todos os personagens e suas "pequenas" tramas vão se desenhando e surgindo em meio a isso. Da mesma forma que temos o fechamento de algo que começou lá no primeiro filme do grupo.
As questões de lealdade, companheirismo, amizade e compromisso são colocadas em cada uma das ações de Falção (Anthony Mackie), Máquina de Combate (Don Cheadle), Gavião Arqueiro (Jeremy Renner) e Viúva Negra (Scarlett Johansson). Os diálogos com seus "lideres" acabam por trazer questões que não haviam sido colocadas em xeque, ou que talvez só vieram a tona, pela divisão por conta do acordo. Percebe-se que a imposição do acordo acaba por ficar em segundo plano quando os questionamentos que são feitas pelas ações de cada um dos Vingadores é percebida como certa ou errada, de acordo com os pontos de vista.

Eu mesmo, antes mesmo de entrar na sala do cinema, me declarei #teamcap. Mas fato é que os dois lados apresentam argumentos e justificativas muito convicentes. E conforme a trama se desenrola, percebe-se que a muito mais em jogo. Em parelelo a isso, temos a Feiticeira Escarlate (Elizabeth Olsen) e o Visão (Paul Bettanny) em uma outra questão importante que é o controle dos poderes de alguém que aparentemente pode não ter controle sobre esses poderes. E aos que conhecem os quadrinhos, é nítido que o seu relacionamento começou a ser construído de maneira discreta.
Eis que então Guerra Civil apresenta, em meio as cenas sensacionais e bem coreografadas de ação e ao roteiro impecável o seu maior trunfo e a sua maior surpresa: o novo Homem-Aranha (Tom Holland), já declarado por todos O MELHOR DE TODOS no cinema e um Homem-Formiga (Paul Rudd) tão entrosado que parece que está participando dos Vingadores desde o seu início.

A apresentação do Homem-Aranha, que no trailer parecia ser o ápice da cena, se mostra só uma fração de uma sequência espetacular e que só é tão incrível quanto a Batalha de Nova York, no primeiro Vingadores. A atuação de Tom Holland prova que a escolha não poderia ter sido mais acertada. Desde a quimíca com Robert Downey Jr. até a desenvoltura nas cenas de ação, comprova essa afirmação. E Paul Rudd, que já havia mandado muito, muito bem no primeiro filme solo do personagem, entrega o seu passaporte de embarque ao grupo e foi recebido com honras e pompa. A cada cena dessa dupla, as risadas eram garantidas e o melhor de tudo: sem serem nem um pouco gratuitas.
Claro que nem tudo são rosas e sim, a de se criticar o desempenho dos vilões do filme. Ossos Cruzados (Frank Grillo), depois de todo o destaque no filme anterior do Capitão decepciona, mas não menos do que o Barão Zemo (Daniel Brühl) dessa adaptação. Aqui, nem título impõe e ao que parece, tivemos mais um vilão da Marvel, nas adaptações pro cinema, que não se aproxima de Loki. Mas o seu papel na trama de certa forma, é importante já que culmina em uma importante evolução do Pantera Negra. E também no desenho da relação entre Rogers e Stark.

Capitão América: Guerra Civil não decepciona. Na verdade, até surpreende. Nunca um roteiro de um filme baseado em quadrinhos foi tão bem amarrado e desenvolvido. Fica sim, a sensação de que nada está concluído. Nenhum ciclo é fechado e tudo isso se justifica já que o filme é apenas o primeiro dessa nova fase, a terceira, da Marvel nos cinemas. Os irmãos Russo provaram que sim, entendem do que estão fazendo, seja nas espetaculares cenas de ação, seja nas cenas de diálogos dramáticos e tensos. E mais ainda, nas cenas que misturam todos esses elementos.
Em um ano em que tantos filmes bacanas estão sendo lançados, Guerra Civil se coloca no lugar que todos esperavam que ele estivesse após seu lançamento: o topo. Agora o desafio da Marvel vai ser superar um filme que, para os seus padrões, eleva todos eles a um nível nunca antes alcançado. Roteiro preciso, atuações impecáveis e direção competente ao extremo. E quem ganha com isso, somos todos nós.

AVALIAÇÃO DO ALTER EGO:
(Excelente) +1

TRAILER:


FICHA TÉCNICA:
Capitão América: Guerra Civil (Captain America: Civil War) - 2016 - 147 min. - EUA - Ação/Ficção
Direção: Joe e Anthony Russo
Roteiro: Christopher Markus e Stephen McFeely
Elenco: Chris Evans, Sebastian Stan, Robert Downey Jr., Scarlett Johansson, Chadwick Boseman, Elizabeth Olsen, Paul Bettanny, Don Cheadle, Paul Rudd, Jeremy Renner, Emily Van Camp, Anthony Mackie, Frank Grillo, Daniel Brühl e Tom Holland.
Site Oficial:


10 de março de 2016

Resenha | A Rede Social

Rever um filme como esse, em meio ao nosso mundo atual...
...chega até ser meio irônico.

Hoje, Mark Zuckerberg é ao que parece, uma pessoa totalmente diferente daquele mostrado no filme dirigido por David Fincher, com toda certeza um dos melhores diretores dos últimos anos. O filme tem como roteiro original de Aaron Sorkin a adaptação do livro de não-ficção "The Accidental Billionaires", escrito por Ben Mezrich em 2009.

O que mais me impressiona nesse filme é que ele parece ser bem atual, mesmo sendo de 2010. A câmera de Fincher transforma o filme em um triller psicológico intenso e que joga o espectador em meio aquela história como se ela estivesse ocorrendo por ai em algum momento.

Fato é que não só o filme, mas como também muita água correu por debaixo dessa ponte chamada Facebook. Eu, você, todo o mundo sabe que em um mundo tão conectado e tecnológico de hoje, a "ideia" de Zuckerberg acerta em cheio naquilo que o ser humano tem de mais intenso: o ego.
O roteiro de Sorkin, merecidamente ganhador do Oscar de Melhor Roteiro Adaptado, alterna as linhas temporais de dois processo sofridos pelo dono do Facebook. Um pelos irmãos Cameron e Tyler Winklevoss (Armie Hammer em atuação muito boa, com a ajuda de um dublê de corpo) e seu parceiro Divya Narendra (Max Minghella), que alegam que a ideia do site é um plágio da Harvard Connection, rede para os alunos da conceituada universidade de Harvard. O outro, pelo até então, melhor amigo de Mark, Eduardo Saverin (Andrew Garfield, que me surpreendeu muito), o brasileiro cofundador do Facebook.

Em meio a isso, a história cria na figura de Mark um misto de gênio e oportunista (não no bom sentido) e que não entrega nenhum julgamento. Trunfo máximo do roteiro! O julgamento que existe no filme é da luta interna que o próprio Mark Zuckerberg (Jesse Eisenberg, mandando muito, muito bem!) entre levar em frente um orgulho e um sentimento de vingança que não poupa nem a si mesmo das consequências de seus atos, ora muito benéficas, ora tóxicas e que prejudicam suas relações.

O olho do furação: a criação daquela que hoje é a maior e mais estável rede social que a internet já conheceu. Mas claro que essa história seguiria como uma das várias que conhecemos (ou não) sobre interesses corporativos que são levados ao público, muitas vezes, de maneira distorcida e incompleta.
O próprio filme assume isso e não entra em maiores detalhes do que de fato ocorreu durante o processo de criação do Facebook, mas sim, o que traz a definição exata entre homem e gênio, homem e monstro. A trilha sonora, outra que levou o Oscar, composta por Trent Reznor e Atticus Ross merece destaque por nos colocar sempre em meio a esse confronto que incomoda e ao mesmo tempo, nos lembra da sensação que a própria cria de nosso protagonista causa: a necessidade de entrega de algo.

Um retorno, uma amizade, uma palavra, uma curtida. A versão real declarou já várias vezes que nunca criou a rede para se vingar se sua ex-namorada. Mas, de certa forma, no mundo que David Fincher cria, isso faz todo sentido. "Todo mito de criação precisa de um diabo" - a frase citada pela personagem de Rashida Jones é precisa no que o filme quer entregar. E mais além do que isso, é a frase que sintetiza as ações que muitos acabam por tomar na rede criada para alimentar nossos monstrinhos egos...."você não é um babaca, mas faz de tudo para parecer um".
E a saída da sala da personagem é uma saída rumo ao encontro do que realmente buscamos não parecer e acabamos sendo. Se o Mark da ficção não era um babaca...bom, o julgamento fica ao final da sessão...e de como você está alimentando o seu monstrinho.

Avaliação do ALTER EGO:






TRAILER:

FICHA TÉCNICA:
A Rede Social (The Social Network) - 2010 - 121 min. - EUA - Drama
Direção: David Fincher
Roteiro: Aaron Sorkin
Elenco: Jesse Eisenberg, Andrew Garfield, Justin Timberlake, Armie Hammer, Max Minghella, Rooney Mara, Rashida Jones
Site Oficial: http://www.thesocialnetwork-movie.com/