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6 de março de 2017

Resenha | Logan

Nota: esse post está originalmente no meu novo projeto com meu amigo Mario Vianna, o Manguaça Nerd. Dá uma passada por lá! =)

Desde o momento em que decidi escrever sobre os filmes que assisto, tenho percebido que o comprometimento comigo mesmo na atenção desprendida para essa atividade tem evoluído com o passar dos anos.

Não, não quero e nem vou tentar ser um crítico pé no saco que caga regras de como um filme deve ou não deve ser feito. Tenho sim gosto duvidoso para alguns filmes que considero "obrigatórios" e talvez, o que tenha de opinião nessa resenha, não vá de encontro a muitas das opiniões sobre esse filme.

Mas fato, é que um olhar diferenciado sempre foi necessário para aqueles que gostam de histórias em quadrinhos. Muitas das histórias coloridas e cheias de onomatopeias escondem em seu cerne, histórias que muitos filmes tidos como "ganhadores de Oscar" não superam. Contudo, como muitos dos rótulos que a nossa sociedade insiste em criar, as histórias em quadrinhos, ou HQs para os íntimos, foram tachadas como "coisa de criança".
Décadas de histórias incríveis se passam e eis que chegamos aos anos 2000, onde a Fox, depois de uma negociação que salvou a Marvel, adquiriu os direitos de uma série já bem conhecida do público no só dos quadrinhos, mas também dos desenhos animados, que causou muita comoção em sua estréia. E o primeiro passo foi dado para o que hoje se conhece como o "universo dos super-heróis" no cinema. Fato é que muitos erros e poucos acertos foram alcançados não só pela Fox, mas pela própria Marvel, Sony e Warner (universo DC) e hoje, temos de certa forma, e aos trancos e barrancos, um segmento já consolidado.

Mas, como todo segmento, chega um momento em que as ideias, que já não são 100% originais, acabam por se tornarem genéricas e causam incomodo aqueles que já conhecem esses universos, esses personagens. Arriscar algo seria necessário, e o primeiro passo foi dado por essa mesma Fox, que arriscou com "Deadpool" e mostrou que haveria uma outra maneira de mostrar os heróis de uma maneira mais adulta e madura.

Afinal de contas, um universo com riquezas de enredos e temas dos mais variados, não deveria se limitar somente ao velho contexto "do bem contra o mal". Warner, Marvel e Fox se arriscaram (oi, Sony?) e o que encontramos em filmes como "Batman vs Superman", "Capitão América: Soldado Invernal" e "Deadpool" arriscam em mostrar os heróis por uma ótica mais "realista" e que fazia jus ao histórico desses personagens em suas respectivas HQs.
Então, chegamos a Logan!

A necessidade de acerto em filme dos X-Men era mais do que urgente. O fiasco que foi "X-Men: Apocalipse", após um reboot de sucesso, mostrava que a fórmula usada já não estava funcionando. Era preciso ir além. Então, o diretor James Manglod, que já havia trazido para a franquia um ar diferenciado em "Wolverine: Imortal", resolveu arriscar ainda mais.

Vendo no sucesso de "Deadpool" uma brecha para mostrar que era possível um enredo mais pesado, e tendo como base para o roteiro uma das HQs mais aclamadas do personagem, se deu início ao filme que, conseguiu com uma autenticidade única, e se coloca nesse seleto grupo de filmes que redefiniram esse novo gênero tão querido de Hollywood.

Sim, já digo antes de qualquer coisa que "Logan" (2017) é um dos melhores filmes de super-heróis já feitos, e não só isso: um dos melhores filmes do ano com toda certeza!
Não só do ano. Arrisco ainda dizer que toda a construção de roteiro feita para esse filme o coloca em um patamar totalmente diferente. Não é só a violência visceral, que mostra não só o sangue que jorra a cada ataque das garras de Logan, mas também a violência psicológica que anos de batalhas causaram ao velho X-Men.

O ano é 2029. Já não existem grupos de mutantes usando roupas coladas lutando contra o vilões nas ruas das grandes cidades. A luta, dos que sobreviveram aos anos de perseguição e batalhas, agora é diária e tão corriqueira como a de qualquer humano.

A marcas desses anos são perceptíveis em Logan (Hugh Jackman, em seu canto do cisne) e o trabalho de motorista de limousines é algo que ainda causa certo problemas, mas em uma sociedade totalmente afundada em uma melancolia profunda, se torna nada. A fuga de um passado marcado não só em seus pensamentos, mas agora também na pele, já que o seu fator de cura não é mais o mesmo, é constante e cansativa.
E o que se percebe, é que esse não é filme sobre salvar o mundo. E não é o mundo que está melancólico. Logan, não mais o Wolverine, é que deve lutar. Pela sobrevivência. Uma luta diária e tem como parceiros nessa nova luta, Caliban (Stephen Merchant), que se redimiu de seu passado e ajuda nos cuidados de um Professor Xavier (Patrick Stewart, também em seu canto do cisne) esquizofrênico e que também sofre com os fantasmas do passado.

A viagem que o filme joga o espectador, não é só pelas estradas que os personagens percorrem. Mas também, pelo entendimento das angustias, os pesadelos e traumas que movem os outrora heróis, para um destino desconhecido.

Mas, essa luta que não é mais entre o bem e o mal, e sim interna, acaba sendo interrompida quando a garotinha Laura (Dafne Keen) cruza o caminho deles e eles se veem compelidos a ajudar a garota a chegar em um lugar chamado Éden.
Laura, como acabam descobrindo, é um dos vários experimentos que a empresa liberada pelo Dr. Zander Rice (Richard E. Grant) andou fazendo com o DNA de vários mutantes, e Laura acaba sendo o resultado da utilização do DNA de Logan. Como codinome, lhe foi dado o X-23.

Para a captura da fugitiva, somos apresentados grupo paramilitar que trabalha para a companhia de Rice, liberados pelo ciborgue Donald Pierce (Boyd Holbrook). Apresentados os personagens, somos inseridos em um road movie que entrega um dos roteiros mais consistentes e coeso entre todos os filmes dos X-Men.

O trabalho feito por Mangold em parceria com a dupla Michael Green e David James Kelly, bebeu de uma fonte super aclamada, mas apenas no conceito de filme de estrada e a ideia que Mark Millar desenvolveu em "Velho Logan". Mas mais do que isso, pegou o material que os filmes da série entregaram, e como um guia, contaram uma história, robusta, adulta e a muito pedida pelos fãs.
Era muito importante que Jackman e também Patrick Stewart, deixasse esses personagens de forma ímpar. E a atuação da dupla, prova que entre os maiores acertos de toda essa franquia, a escalação desses dois está nessa lista.

Por se tratar de um filme intimista, a apresentação de uma nova persona para esse mundo mutante até pode soar estranho. Mas em meio ao adeus, o olá de Dafne Keen a esse mundo é muito, mas muito bem-vindo. Impressiona como em meio ao peso de algumas cenas, a garota entregue tanto, ou talvez até mais, em alguns momentos, vontade e verosimilhança.

Um filme que mostra a verdadeira essência desses personagens. Pois a palavra herói, por mais que seja dita muitas vezes com algo já passou, ainda lateja nas atitudes e ações de Logan. O futuro distópico desse universo, se mostra tão real que impressiona.
Nesse conjunto de fatores positivos, talvez o único ponto a ser colocado em questão seja um só: O PORQUE DIABOS DEMORARAM TANTO TEMPO PARA TER A CORAGEM DE UMA CENSURA MAIS ALTA?

É um fato que se mostra totalmente a favor de uma necessidade que o personagem sempre teve. Os fãs dos quadrinhos que conhecem o personagem até melhor do que esse que vos escreve podem afirmar com mais propriedade, mas fato: a censura maior só favoreceu o filme.

Não pela violência pela violência. Mas pelo contexto em que essa violência se apresenta. E James Manglod foi o diretor, que já havia riscado a superfície na tentativa anterior, agora entrega o Wolverine e o Logan que há tempos todos queríamos ver.

Um filme obrigatório. Não só aos que são fãs dos X-Men, não só aos que são fãs de quadrinhos, mas a todos que gostam de um bom filme. Logan é um filme que aborda a luta de um homem, que assim como todos, luta diariamente para ir busca daquilo que acredita. Ele ser um mutante já em final de carreira como protagonista é só um detalhe.

Mas olha, vou te confessar: é um BAITA detalhe. Faça-se o favor então, e vá ao cinema hoje ver Logan.

AVALIAÇÃO DO ALTER EGO:

TRAILER:
Aqui e aqui.

FICHA TÉCNICA
Logan - 2017 - 135 min. - EUA - Ação/Drama
Direção: James Mangold
Roteiro: Michael Green, Scott Frank, James Mangold
Elenco: Hugh Jackman, Dafne Keen, Patrick Stewart, Richard E. Grant, Boyd Holbrook, Stephen Merchant
Site Oficial: http://www.foxmovies.com/movies/logan



4 de setembro de 2016

Cinema | Esquadrão Suicida

Filme da DC tinha tudo para ser um marco, mas tropeça com a faca e o queijo na mão.
E finalmente resolvi parar, refletir e escrever sobre esse, que na minha opinião, foi a maior decepção dos últimos tempos com relação a um filme de super-heróis.

Dito isso, e aquém de todas as confusões que envolveram a produção e que pipocam desde o seu lançamento até hoje, um mês depois do seu lançamento, é visível que o diretor e roteirista David Ayer se perdeu em algum momento...e não foi muito.

O contexto em qual o grupo foi inserido, logo após os eventos mostrados em Batman vs Superman. se apresenta com uma perfeita adição a esse universo que a DC finalmente começou a desenhar depois do excelente Homem de Aço. E tinha tudo para dar certo.
Antes de mais nada, é importante dizer que o filme não é ruim. Tem boas cenas de ação, algumas piadas aqui, um caminho interessante a ser seguido ali. Mas sei lá...faltou. Faltou consistência no roteiro, faltou coragem para arriscar mais...já que era pra seguir a mesma linha da sua contra-parte da Marvel, faltou algo.

Personagens para isso não faltam. Depois da suposta morte do Superman, Amanda Waller (Viola Davis) leva ao governo americano o projeto em que pretende montar uma força-tarefa, capaz de reunir os piores entre os piores vilões para missões consideradas suicidas. Após as negociações necessárias, a apresentação de Dexter Tolliver (David Harbour) com as mesmas questões levantadas em BvS, convence a autorização para o projeto.

Começa então o "recrutamento" da equipe e a apresentação na poderia ser mais cafona e piegas...sério, só faltou a música dessa montagem aqui:

E assim somos apresentados a equipe que será "liderada" por Rick Flag (Joel Kinnaman): Floyd Lawton/Pistoleiro (Will Smith), Drª F. Harleen Quinzel/Arlequina (Margot Robbie), George "Digger" Harkness/Capitão Bumerangue (Jai Courtney), Waylon Jones/Crocodilo (Adewale Akinnuoye-Agbaje), Chato Santana/El Diablo (Jay Hernandez), Christopher Weiss/Amarra (Adam Beach), June Moone/Magia (Cara Delevingne) e Tatsu Yamashiro/Katana (Karen Fukuhara).
Após a apresentação da ameaça e ao foco evidente à história do Pistoleiro e seu ódio pelo Batman (Ben Afleck) e para a Arlequina e sua relação de loucura/abuso com o Coringa (Jared Leto) que se tornou o destaque, mas pelos motivos errados, o filme segue o caminho do óbvio.

Nem adianta entra mais no que o enredo entrega, pois as variedades e nuances que a diversidade do grupo, uma das características mais bacanas e exaltadas nos três trailers principais que foram divulgados durante a promoção, morreram no filme! Fica claro o destaque para as principais estrelas e os total descanso na falta de construção do roteiro com os outros personagens, que ainda assim, graças ao carisma de Jai Courtney e o talento de Jay Hernandez trazem destaque além do arco da Arlequina e do Pistoleiro.

A decepção maior com o filme foi pela perda do potencial que ele tem. Ok, sabíamos desde o início que pelas participações de Batman e o destaque ao Coringa, os dois seriam os rostos principais, mas ainda assim, tem por culpa do roteiro confuso e apressado, frases de efeito vazias e que arrancam aquele sorriso amarelo, quando não há nada pra justificar aquilo.
As poucas cenas que empolgam, como uma sequência em que o Pistoleiro se torna o líder natural da bagunça, dão aquela falsa esperança de que o filme vai engrenar, mas um problema chamado ritmo de narrativa não deixava. E também havia um outro problema, chamado Coringa que ecoava por todo o filme.

As expectativas para a primeira aparição do Palhaço do Crime após a estupenda e premiada atuação de Heath Ledger, não pareciam ser grandes o suficiente para atrapalhar Jared Leto. Talento ele tem, mas o maior problema que vejo foi a má utilização do personagem, que nunca fez parte do Esquadrão e que aparece somente como algo que justifica as atitudes e comportamento da Arlequina.

O que poderia ser a cereja no bolo, acabou se tornando um incomodo, maior ainda quando veem a tona a enorme quantidade de cenas cortadas e as intromissões no roteiro de Ayer que apagaram o personagem. E com certeza o que fica claro que é a expectativa que foi criada antes do lançamento do filme.
De enorme potencial, a versão final do filme acaba se tornando só mais um filme comum, esquecível pelo seu roteiro picotado, edição confusa e uma trilha sonora mais alta do que os diálogos que realmente importavam.

Nem mesmo o easter-eggs, os fan services e as participações de dois dos grandes heróis da DC durante o filme, elevam o nível. O que é uma pena. Culpa da minha expectativa exacerbada? Com certeza, pois o filme diverte e algumas cenas e diálogos salvam a equipe do desastre total.

A DC parece ter achado o seu caminho. Já sabe que a identidade criada pelos filmes de Snyder não pode ser descartada e tentar emular o humor visto nos filmes da Marvel não vai funcionar. Com um elenco desses, não é aceitável fazer um filme mediano. Will Smith, Margot Robbie e Viola Davis arrebentam e salvam o filme. Mas só isso não basta.
Um pouco de ousadia e coragem talvez fizessem com que a identidade da equipe fosse melhor apresentada. E mais tempo de tela ao Coringa de Leto talvez fizessem jus ao talento do ator. Resta agora esperar pela continuação, já planejada devido a bilheteria incrível e confesso, surpreendente.

Não receio pelos futuros lançamentos, mas definitivamente a DC precisa aceitar que seus filmes funcionam de uma forma e não é fazendo a sua versão de Guardiões da Galáxia que ela irá acertar a mão.

Avaliação do ALTER EGO:






TRAILER:

FICHA TÉCNICA:
Esquadrão Suicida (Suicide Squad) - 2016 - 130 min. - EUA/Canadá - Ação/Aventura/Fantasia
Direção: David Ayer
Roteiro: David Ayer
Elenco: Will Smith, Jared Leto, Margot Robbie, Joel Kinnaman, Viola Davis, Jai Courtney, Karen Fukuhara, Jay Hernandez, Adewale Akinnuoye-Agbaje, Ike Barinholtz, Scott Eastwood, Cara Delevingne, David Harbour
Site Oficial: http://www.esquadraosuicidafilme.com.br/



26 de agosto de 2016

Cinema | Novo Filme dos Power Rangers

Me lembro como muito carinho e empolgação de quando foi anunciado aquele que seria o primeiro (e único até o momento) filme na telona dos Power Rangers. Não adianta, qualquer garoto que viveu os anos 90, assistiu o grupo de amigos que estavam ali diariamente lutando conta as forças do mal.

Parar ficar ainda mais bacana, o seriado trazia as milhares de referências de todas as produções nipônicas e divertia demais. Mas o tempo passa...e confesso que foi até uma surpresa quando tivemos aquela maravilha de curta metragem, aguçou a nostalgia e a discussão de que quando algo que fez sucesso no passado, quando bem feito, vale a pena ser revisitado.

As informações sobre o novo filme dos Rangers ainda estão sendo reveladas e pouco se sabe. No mais, temos a nova formação e as primeiras imagens já foram divulgadas, assim como um cartaz teaser. As gravações ainda rolam, por isso nada de trailers por enquanto, mas as reações na web do novo visual estão bem divididas, isso é fato!
Particularmente, espero um filme divertido, mas como já está claro, esse filme não é um filme para nós velhos. Uma nova geração está ai e assim como no passado, com toda a dose de inspiração dos grupos Super Sentai que estava lá para atrair um público já cativado, a adaptação e algumas mudanças se farão necessárias.

Torço para que o resultado seja extremamente positivo, pois o melhor de tudo, vai ser ir ver o filme dos Rangers junto com meu filhote. =D.

O elenco terá Dacre Montgomery como o Ranger Vermelho, Naomi Scott como a Ranger Rosa, Ludi Lin como o Ranger Preto, Becky G (que também é cantora) como a Ranger Amarela e RJ Cyler como o Ranger Azul. Teremos também no elenco Elizabeth Banks como a vilã Rita Repulsa e Bryan Cranston (sim, aquele mesmo de Breaking Bad) como o Zordon.
O roteiro a seis mãos foi escrito por Ashley Miller, Zack Stentz (de X-Men: Primeira Classe) e John Gatins (Gigantes de Aço). Dean Israelite (Projeto Almanaque) dirige o novo filme dos Power Rangers que estreia em 24 de março de 2017.


21 de junho de 2016

Filme | Amizade Colorida

Um fato que venho percebendo nos últimos anos...
...é que Hollywood está cada vez mais tentando aproximar-se do seu público quando falamos de comédias românticas. Algumas situações tangíveis, fora daquele conto de fadas que é tão clichê em 70% das produções desse gênero.

E claro que um dos maiores assuntos que mais rolam em conversas de boteco, e que se não rolaram, em algum momento terã como foco esse assunto, é a tal da amizade com benefícios, ou a amizade colorida.

E em tempos "modernos", parece que cada vez mais a impressão que temos é de um caretismo que acaba, olha vejam só, tornando essa história bem mais distante (e interessante?) do que parecia ser. Talvez o tabu seja mesmo não falar sobre o assunto, ou simplesmente tratar isso como algo distante e irreal. Certo?
Estudo sociólogos à parte, fato é que o sexo entre amigos sempre será um tema para poucos. Quem ganha e quem perde, só o tempo pra responder. E é exatamente esse um dos pontos que guiam o roteiro desse filme, que como ponto fora da curva, trata da questão de maneira direta e reta...e bem divertida.

Sim, já adianto que o filme vale sim a audiência! É daqueles filmes bacanas, divertidos, que não deve ser visto na frente das crianças, mas que embala uma boa tarde de preguiça. Como todas as grandes mudanças que passamos nas nossas vidas, sempre existe aquele momento de queda antes. E é exatamente isso que vivem Dylan Harper (Justin Timberlake) e Jamie Rellis (Mila Kunis), quando se se conhecem.

Após serem dispensados" por seus atuais parceiros, acabam optando por curar um pé na bunda, focando no trabalho...nada melhor certo? Dessa forma, Jamie, uma caçadora de talentos faz o melhor e traz o diretor de arte em ascensão para trabalhar em Nova York.
Acabam se conhecendo melhor e logo viram amigos e ai, uma coisa leva a outra. O filme é praticamente sobre o relacionamento dos dois, e como no meio dos clichês (disfarçados?) do filme, eles vão tentando evitar cair na zona perigosa. Mas é claro que você já sabe onde isso vai parar. O que diferencia esse filme dos demais (e até um "rival" próximo, que pretendo falar em breve) é a sua linguagem descolada e irônica.

A maior ironia está dentro do filme, já que um filme do gênero é visto pelos "amigos". Nele, Jason Segel e Rashida Jones formam um casal que segue a risca o padrão de "casal de comédia romântica". E de fato, o casal desse filme não é nada convencional. A acidez de algumas piadas, pode até incomodar os mais "puritanos". E isso eleva o nível do filme.

Vale destacar aqui de novo a naturalidade com que o roteiro aborda a questão. Mas mais do que isso, é de se destacar a química entre Justin Timberlake e Mila Kunis. Se não fosse isso, com certeza esse filme seria um fiasco.
O ponto critico se dá quando a trama tenta colocar problemas "do mundo real" dentro da realidade idealizada pela dupla. E ai os sentimentos, ali esperando para serem abraçados, batem na porta. E entre o drama do Alzheimer que Dylan passa com o pai (Richard Jenkins), que graças ao suporte da irmã (Jenna Elfman) não se torna algo mais pesado, e Jamie tendo que lidar com uma mãe (Patricia Clarkson) mais imatura que ela mesma, tendem a perceber que a amizade acabar por se tornar algo além.

Como lidar com isso? Como aceitar algo que tende a dar errado? Durante todo o filme fica claro que a fuga dos sentimentos que os protagonistas vivem é algo que de fato acontece mais do que o costume nos dias de hoje. Talvez a identificação tão imediata. E ai que entra o ponto que traz ao filme uma força maior do que realmente faltaria caso a integração com a rotina moderna da juventude de hoje.

E a saída não poderia ter sido mais acertada!
É um filme que tem mais do que os olhos podem ver e o roteiro quase estraga isso com seu final clichê, mas, que como ele mesmo se entrega: sem um final (ou começo) piegas, nenhuma história de amor merece audiência.

Diversão garantida, um elenco afinado e uma trilha pop bacana. Como falei, um ótimo programa para uma tarde qualquer.

Em tempo: a participação do Woody Harrelson se torna um dos pontos altos do filme a cada vez que ele aparece!

Avaliação do ALTER EGO:







TRAILER:


FICHA TÉCNICA:
Amizade Colorida (Friends with Benefits) - 2011 - 109 min. - EUA - Comédia Romântica
Direção: Will Gluck
Roteiro: Will Gluck, Harley Peyton, Keith Merryman (história) e David A. Newman (história)
Elenco: Justin Timberlake, Mila Kunis, Patricia Clarkson, Jenna Elfman, Bryan Greenberg, Nolan Gould, Richard Jenkins, Woody Harrelson
Site Oficial: http://www.sonypictures.com/movies/friendswithbenefits/



16 de junho de 2016

Filme | Férias Frustradas de Verão

Ainda não entendo como é que as distribuidoras..
...se reúnem para fazerem a escolha dos nomes para os filmes de suas versões brazucas. Sério, ainda pretendo descobrir esse segredo. Mais do que o segredo do que se passa na cabeça das mulheres. E também, claro, como que a Kristen Stewart não consegue fazer outra expressão.

Bom, mistérios à parte e devaneios também, gostaria de falar com vocês desse filme que foi uma grata surpresa em um final de domingo gelado (PRA CARALHO). Férias Frustradas de Verão (Adventureland, 2009), acompanha a história de James Brennan (Jesse Eisenberg), filhinho de papai que toma um choque de realidade quando seus planos de passar as férias de verão na Europa.

Para que possa então manter pelo menos o sonho de entrar na faculdade logo após o fim da escola, se vê forçado, por conta da situação financeira de seus pais, a arranjar um trabalho. Mas mais do que encontrar um trabalho para sobreviver a nova fase da sua vida, James irá aprender algumas lições que irá carregar consigo para sempre.
A dramédia, escrita e dirigida por Greg Mottola (que também fez Superbad) que tem influência da vida de seu criador, já que o mesmo trabalhou em um parque de diversões nos anos 80, aponta um caminho que não segue. E ainda bem. É possível perceber que o filme é muito mais do que uma comédia por si só.

O emprego no Adventureland, parque de diversões onde James começa a trabalhar, se torna o berço dos conhecimentos do jovem sobre a vida que estaria por vir. De como as coisas não vem de forma fácil e nada tranquilas às vezes. Que planos muitas vezes precisam ser refeitos e revistos. E isso traz uma certa "sustância" ao filme.

Conforme vai se adaptando com a nova rotina, vamos conhecendo os personagens secundários, como Joel (Martin Starr), que logo se torna seu amigo e seus excêntricos empregadores, Bobby (Bill Harder) e Paulette (Kristen Wiig), que mostram outras facetas de uma vida bem mais complexa. E forma como a visão de James vai criando outra forma durante o filme, tem maior impacto quando surge o interesse por Em Lewin (Kristen Stewart), uma colega de trabalho que até então, envolta em mistério, parece ser a escolha mais acertada.
Mas nem sempre o que parece é, e parece que o filme toma isso como um lema implícito em todos seus atos. De filhinho de papai rebelde, James começa a perceber que a complexidade das pessoas, por mais que afetem suas decisões em alguns momentos, não pode nunca afetar a forma como elas tem que serem tomadas. A duras penas aprende sobre as mulheres, sobre como definir amizades e sobre como juntar dinheiro...mesmo que o perca depois de uma maneira bem idiota.

Lições que a cada ação, cobram uma reação e pedem para serem aprendidas. E por mais irônico que parece, seu melhor mentor nessa caminhada, acaba sendo de certa forma seu maior rival. E Mike Connell (Ryan Reynolds) acaba por se tornar o melhor professor na nova escola que James conhece.
O filme tem algumas piadas e sacadas muito legais. É nítido a evolução de Mottola mostra em sua direção com relação à Superbad. E se seu roteiro não é dos mais inspirados, por sorte conta com um competente elenco, à exceção sempre da inexpressiva Kristen Stewart. É sério, assistir ela atuando em qualquer filme passa a impressão de que ela está fazendo aquilo no piloto automático e me incomoda ver o esforço de Jesse Eisenberg em passar emoção por dois em um das cenas mais dramáticas do filme.

Ainda vou entender qual o mistério que faz com que ela ganhe alguns papeis bacanas como esse.

O restante do elenco, não compromete. Bill Harder e Kristen Wiig estão nitidamente se divertindo horrores como um casal nada convencional e que demostra seu estranho amor, não só um pelo outro, mas também pelo seu parque, de uma forma bem convincente e engraçada. Martin Starr, que sempre será lembrado por mim por seu papel em Freaks and Geeks (falo dela em breve) faz uma dupla pouco convencional e que funciona com Eisenberg, e que também contribui positivamente não só para a comédia, mas nas cenas mais sérias também.

Em resumo: o filme é uma grata surpresa, para quem esperava uma bomba sem sentido, com um título mais sem sentido ainda e que ao contrário do parece, não frustra a audiência trazendo mais do que parece oferecer.
Em tempo: a trilha sonora do filme, originalmente composta pelo grupo Yo La Tengo ainda contam com músicas de Lou Reed, David Bowie, The Rolling Stones, The Cure e INXS, Vale a atenção a esse grande adicional.

Avaliação do ALTER EGO:


TRAILER:


FICHA TÉCNICA:
Férias Frustradas de Verão (Adventureland) - 2009 - 107 min. - EUA - Comédia/Drama
Direção: Greg Mottola
Roteiro: Greg Mottola
Elenco: Jesse Eisenberg, Kristen Stewart, Ryan Reynolds, Martin Starr, Bill Hader, Kristen Wiig
Site Oficial: n/d



12 de junho de 2016

Filme | X-Men: Apocalipse (e um especial sobre os X-Men?)

Antes de mais nada queria esclarecer uma coisa: X-Men foi o que...
...me fez curtir quadrinhos. Sem pestanejar afirmo isso. Foi o quadrinho que me fez querer ler outras histórias, Foi o quadrinho que me fez perceber que tinha um mundo muito maior além das garras daquele cara com expressão de louco que se vestia de colam amarelo.
E desde o primeiro filme, de 2000, onde Bryan Singer apresentou de maneira muito bacana e competente os mutantes para o mundo do cinema, criei um carinho maior ainda por esses personagens, que com o reforço da série animada que feito um sucesso incrível nos anos 90, estava na lista de favoritos há tempos.

O segundo filme também mandou bem, tendo uma evolução natural no tamanho do filme e com uma importância inevitável na referência de adaptações. X-Men sempre tem como tema principal a aceitação e as discussões sobre intolerância e discriminação das minorias, e isso é muito bem feito nos dois primeiros. A Fox tinha feito o melhor negócio da sua história, e o sucesso fez com que a "mãe das crianças" começasse a mexer seus pauzinhos para que outros filhos tomassem vida na tela grande. O resto da história você já vem acompanhando e a Marvel é o que é hoje por conta desse sucesso.

Singer resolve então ficar só na produção, e ai que a merda está feita! A direção de  Brett Ratner no terceiro traz um novo ar, até que bacana, mas as escolhas do roteiro, revoltaram até mesmo aqueles que não conheciam as histórias nas quais os roteiros foram baseados. Para recuperar o prestígio da série, a Fox, que se encontrava em um beco sem saída, acha como solução contar a origem do mutante mais famoso de todos..
Como resultado? Uma merda de filme que se não fosse pelo carisma de seu interprete seria pior ainda. X-Men Origens: Wolverine (2009), de Gavin Hood, deveria servir para recuperar o prestígio dos mutantes, mas acaba por ser uma bomba ainda maior do que o terceiro episódio da série principal. Mas por sorte, em 2013, James Mangold salva a reputação de Logan trazendo um filme que faz jus a sua história e o legado até ali já criado por Hugh Jackman, realizando um segundo filme solo competente, com uma história que bebe bastante da grande série Wolverine, escrita por Chris Claremont e Frank Miller em 1982.

Mas, eis que chegamos ao ponto divisor de águas dos filmes do grupo. Antes do segundo filme do Wolverine, tivemos uma grata surpresa e que pra mim, junto com primeiro e o segundo filme da franquia, é um dos melhores. Singer volta para conta a história da Primeira Classe criada pelo então jovem Professor Xavier.
X-Men: Primeira Classe (2011) é um primor no seu roteiro, bem amarrado e que conta de maneira competente a origens dos lideres mais emblemáticos da franquia. Um reboot elegante e que, para os que conhecem a série, não ofende em nenhum momento. Com as adições de James McAvoy, Michael Fassbender e Jennifer Lawrence ao elenco, o filme atrai novos públicos e mostra que ainda havia esperança para a série (já que a sequência de Wolverine, viria só depois desse filme).

Um grande filme que coloca a série no caminho mais ousado que a série já teve. Em X-Men: Dias de Um Futuro Esquecido (2014), tivemos o filme que consertou todas as cagadas da trilogia anterior (e do primeiro solo do Wolverine). Usar viagens no tempo para corrigir erros é algo comum nos quadrinhos, mas a forma como a adaptação da saga Dias de Um Futuro Esquecido, mesmo não me agradando a principal a escolha do Wolverine como personagem principal, mas mais uma vez o talento de Jackman salvou o filme.

Também foi muito legal ver a espécie de "passada do bastão" que houve entre a "antiga" geração e a nova geração de atores. E então, finalmente, era anunciado o filme que "encerraria" a nova trilogia e definiria de vez os novos rumos da franquia X-Men nos cinemas.

E em meio a negociações entre personagens (Guerra Civil) e um sucesso inesperado (Deadpool), esse filme deveria entregar o que prometeu. E infelizmente, isso não aconteceu por completo, mas de certa forma, mantém a qualidade na média da nova trilogia.
Mantendo a linha do tempo, que começou nos anos 60 no Primeira Classe, X-Men: Apocalipse (2016) se passa na década de 80. Sendo assim, a correção na linha do tempo se mostra mais do que acertada!

Bom, sobre o filme...já começo destacando a boa caracterização da década, mesmo que em poucos detalhes, foi uma boa caracterização. Mas vamos ao enredo: En Sabah Nur (Oscar Isaac) é o mutante original e depois de milhares de anos, acorda com o intuito de purificar a humanidade como uma nova ordem mundial. Claro que para isso, ele será o rei.

Para isso, ele buscará seus Quatro Cavaleiros e para preencheram essas posições recrutará Magneto (Michael Fassbender), Psylocke (Olivia Munn), Anjo (Ben Hardy) e Tempestade (Alexandra Shipp). Após tomar conhecimento do que estava por vir, o Professor Xavier (James McAvoy), busca mais informações com Moira MacTaggert (Rose Byrne) e com a ajuda de Raven (Jennifer Lawrence) irá reunir uma nova equipe de jovens X-Men para parar a nova ameaça.

À partir dessa introdução, somos apresentados aos novos rostos da nova franquia. Temos o retorno dos personagens que ficaram no caminho após o terceiro filme. Conhecemos então os novos rostos Scott Summers, Ciclope (Tye Sheridan), Jean Grey (Sophie Turner) e Kurt Wagner, o Noturno (Kodi Smit-McPhee). Juntos com Hank McCoy, o Fera (Nicholas Hoult) terão que aprender a controlar seus poderes e combaterem juntos a nova ameça.

Gostei bastante da introdução, principalmente do Noturno (que pra quem conhece os quadrinhos, ficou uma clima no ar...). As novas versões da Jean e do Ciclopes ficaram bacanas também, mesmo Tye Sheridan não ter tanto carisma assim.
O roteiro não entrega muitas surpresas. O mais incrível é que o material era muito rico. As comparações bíblicas, novamente a necessidade de aceitação e as discussões políticas sobre intolerância e discriminação das minorias traria muito mais conteúdo e peso para o filme. Não só se trata de um dos vilões mais poderosos e importantes e com certeza, mesmo que o filme ficasse mais longo, valeria a pena.

A troca pelos dramas pessoais (com exceção da virada do Magneto que deveria ter sido mais explorada, mas graças a atuação de Michael Fassbender, é aceitável) agregaria muito mais para a trama. Não existem surpresas. O "encontro" de Apocalipse com seus "cavaleiros" é sem sentido e não agrega em nada a trama. O final é previsível desde o começo e mesmo alguns pontos que sabemos que só serão resolvidos nos futuros filmes, a sensação é de que houve uma certa covardia no roteiro.

O impacto que os dois primeiros filmes dessa nova trilogia causaram, por inovações em uma história que parecia seguir um caminho triste (de ruim) como foi o final de O Confronto Final. E essa importância que a Mística teve, tá ficando feio já, pois sabemos que ela só se dá por conta do tamanho que o nome de Jennifer Lawrence tomou em Hollywood. Está a Fox errada? É pensando bem, acho que não.

Espero que outros caminhos sejam explorados. Um ciclo se encerrou nesse filme e é preciso seguir em frente.
Mas mesmo com essas falhas, esperava um filme pior. Ok, o vilão, mesmo sendo um dos mais interessantes da série, não se apresenta nem perto do que a sua contraparte no quadrinhos. Mas mesmo assim, é uma ameaça que assola o mundo inteiro. E essa grandiosidade não se apresenta no filme. O que é uma pena.

É bom saber que finalmente, uma história tão bacana como é a dos X-Men está de volta aos trilhos. O elenco salva o roteiro desses pontos. As novas adições, com destaque para Sophie Turner, parecem terem sido as corretas. Isso porque ainda tivemos uma Jubileu (Lana Condor) que se mandar tão bem quanto a caracterização, será sucesso garantido!
E claro que a participação do Wolverine no filme foi o mais puro fã service e um dos pontos altos do filme. E essa participação me deu grandes esperanças sobre o que esperar do filme solo sem censura. Brutal e sem dó, realmente tivemos um reboot de toda a série e todo o personagem. E o final da sequência da cena acaba se tornando bem emblemática com Jean "acalmando" a mente perturbada de Logan.

Assim como a cena do Mércurio (Evan Peters) que mostra que o personagem veio pra ficar na franquia e que é um dos grandes coringas (e a cena dele na mansão prova isso), tornando-se outro ponto alto.

No final das contas, X-Men: Apocalipse coloca de vez os pingos nos i's, entrega em definitivo a nova equipe ao público e prepara um terreno bem fértil para novos filmes. Deapool provou que um pouco de ousadia não faz mal pra ninguém. Mas mais do que isso, manter o nível é mais importante ainda. E com certeza, a piada feita pela Jean sobre terceiros filmes faz sentido...infelizmente.
Com seu final previsível e a falta de coragem que Singer sempre mostrou em todos os filmes que dirigiu da série, me pergunto, onde está aquele diretor que fez magistralmente aquele clássico chamado Os Suspeitos. Mas depois da correção dos erros que a série quase insistiu em repetir, é um bom até logo...porque com certeza não será a última vez que veremos o diretor envolvido em alguma produção dos X-Men. Ainda bem?

Avaliação do ALTER EGO:


TRAILER:


FICHA TÉCNICA:
X-Men: Apocalipse (X-Men: Apocalypse) - 2016 - 114 min. - EUA - Ação/Aventura
Direção: Bryan Singer
Roteiro: Simon Kinberg, Dan Harris (história), Michael Dougherty (história), Bryan Singer (história)
Elenco: James McAvoy, Michael Fassbender, Jennifer Lawrence, Oscar Isaac, Rose Byrne, Nicholas Hoult, Sophie Turner, Tye Sheridan, Alexandra Shipp, Olivia Munn, Kodi Smit-McPhee, Lana Condor, Lucas Till, Evan Peters
Site Oficial: http://www.foxmovies.com/movies/x-men-apocalypse



30 de maio de 2016

Filme | O Maravilhoso Agora

É engraçado, pois me lembro exatamente do momento...
...em que a vida fez comigo o que o soco do McGregor fez no Aldo. Sei que não é uma boa lembrança pro esporte brazuca, mas sei que o Aldo recupera o cinturão e tal. Mas voltando ao momento, sei bem como foi esse nocaute que a vida me deu. Aquele momento onde você se percebe se rumo e parece que só tem escuridão pela frente.

Mas, como nenhuma escuridão vence a luz, posso lembrar disso hoje como se fosse algo que foi extremamente necessário para que pudesse crescer, evoluir, aprender. Quando somos adolescentes, não vemos a hora de sermos adultos. Olha, se tivesse como voltar no tempo pra aprender tudo antes...não o faria.
Porque talvez seja essa a graça das coisas que vivemos. Elas são únicas e dessa forma, se tornam peças de um quebra-cabeça bem maior do que a nossa compreensão naquele momento.

E exatamente isso que Sutter Keely (Miles Teller) precisa aprender na história de O Maravilhoso Agora. Garoto popular, rumo ao término do colegial, acredita que a sua vida é feita de momentos. E todos esses momentos tem que ser sempre intensos, fantásticos e épico. Tudo ia muito bem, até que sua namorada, Cassidy (Brie Larson), aquele que ele achava ser a parceira perfeita para ele, se cansa da vida de farra e encerra o namoro.

Como refúgio para seus problemas, Sutter resolve então farrear. Mas, como sempre existem males que vem pro bem, após se "perder" na bebedeira, ele conhece Aimee Finecky (Shailene Woodley), garota que vive uma vida totalmente oposta a de Sutter. Nerd, leitora de mangás, responsável, inteligente, ajuda a mãe nas responsabilidades da casa e já está com o futuro "garantido".
O garoto vê ai uma oportunidade de poder melhorar na escola e após algumas conversas, os dois começam a se relacionar. Ok, os clichês estão no ar, mas o que poderia ser uma comédia romântica bobinha, toma contornos mais pesados, quando o passado e presente dos pais do casal se apresentam e colocam em jogo o futuro de ambos.

Mas mais para ele do que para ela. Para Sutter, lidar com o futuro era algo muito distante, sem primeiro resolver seu passado. E enquanto Aimee tem que se impor pelo seu futuro, ele buscar se impor pelo seu presente.

O desenrolar da história vai então cruzando esses mundos totalmente diferentes e entrelaçado-os cada vez mais e mais.
O roteiro do filme ajuda. Com um começo leve e despretensioso, o longa vai elevando a dose de tensão conforme os goles de Sutter vão aumentando. A atuação de Miles Teller, que dá um show, transmite todo o sentimento de falta de direção que seu personagem tem.

A aproximação da sua relação com a mãe (Jennifer Jason Leigh) e a irmã (Mary Elizabeth Winstead) são a única saída que ele ver para que possa entender o seu passado. Talvez assim ele saiba pra onde seguir. Esse sentimento é algo que todos em algum momento sentimento e a identificação é imediata.

Quem dá um show também é Shailene Woodley, De forma muito peculiar a convincente, a inocência e ingenuidade de sua personagem é claramente vista em tela e a empatia é quase que imediata, transformando o espectador em um torcedor fiel para que esse relacionamento dê certo.
É filme sobre crescimento. E crescer não é fácil. Quando algumas coisas que se esperavam não saem como o planejando, claro que existe frustração. Mas mais do que isso, mudam a maneira como o mundo é visto. E graças as atuações impecáveis da dupla de protagonistas, percebemos que sim, mesmo que necessárias, elas são doídas e pesadas, pois nunca estamos preparados para elas.

Mas como todo processo de crescimento, aprender com erros, mudar e descartar o que não se faz necessário, também faz parte dessa fase. E descobrir a sia mesmo é muito difícil. Contudo, primordial para que exista o novo, a mudança. Pois por mais que tentemos, o futuro sempre chega de alguma forma.

Filme mais que recomendado!

Avaliação do Alter Ego:








Trailer:


Ficha Técnica:
O Maravilhoso Agora (The Spectacular Now) - 2013 - 95 min. - EUA - Comédia Dramática
Direção: James Ponsoldt
Roteiro: Scott Neustadter, Michael H. Weber (baseado no livro de Tim Tharp)
Elenco: Miles Teller, Shailene Woodley, Brie Larson, Jennifer Jason Leigh, Mary Elizabeth Winstead, Kyle Chandler
Site Oficial: http://spectacularnowmovie.com/



29 de maio de 2016

Se Enlouquecer, Não Se Apaixone

Mais um daqueles filmes em que...sei lá...
...você esbarra por ai, acha no Netflix e deixa na sua lista. Até que um dia, lembra que tem aquela atriz bonitinha, resolve ver. E olha, ainda bem que a gente se engana com alguns filmes. Assim como a gente se engana em muitas coisas na vida, inclusive, nossos pensamentos.

Mas Se Enlouquecer, Não Se Apaixone é literalmente um filme sobre essas confusões, sobre enlouquecer. Sobre a pressão que sofremos em nossas vidas e como somos egoístas de certa forma em nossas necessidades/expectativas.

Craig (Keir Gilchrist) é um desses adolescentes modernos. E modernos, eu digo, que esquecem cedo o que é ser um adolescente e querem logo serem adultos. Ou são forçados a isso. Escola, família, amigos, ser o melhor sempre. Fato é que algumas pessoas lidam com as situações de maneiras diferentes e Craig foi um daqueles que ficou doente.
E antes que alguma merda acontecesse, ele procura ajuda médica para lidar com isso. Acaba sendo internado em um hospital psiquiátrico. E ao tomar essa atitude, salva não só a sua vida, mas como também vai afetar (e salvar) a vida de muitas outras.

Como falei, é um daqueles filmes que te puxam e você tem que assistir. E o assisti. E confesso que não esperava tanto. A temática pesada, de certa forma, se mistura a uma realidade mais pesada ainda. O filme é baseado no romance It's Kind of a Funny Story, que é o título original do filme. Escrito por Ned Vizzini, escritor renomado nos EUA e que cometeu suicídio aos 32 anos de idade. E não por coincidência, o livro acaba de se tornando semi-autobiográfico.
Mais do que um filme sobre enlouquecer em meio as pressões que a vida nos impõe, o roteiro, que acompanha a incursão de Craig no hospital, nos coloca em posição de reflexão sobre a nossa própria realidade.

Somos nós que de fato criamos nossos próprios problemas? Ou aumentamos eles? Ou damos uma importância maior do que realmente parecem?

Após ser guiado até Smitty (Jeremy Davies), o guia oficial do hospital para os novos pacientes e à Dra. Eden Minerva (Viola Davis), Craig, durante sua estada no hospital, vai ter como "mentor", Bobby (Zach Galifianakis). Não ficamos sabendo, até certo momento do filme, o porque que Bobby está ali e até passa uma certa sensação de que ele realmente não deveria estar ali. Mas muitas vezes, o que parece nunca é, certo? Também conhecemos Noelle (Emma Roberts), que, para o filme não sair muito do clichê, acaba por se tornar o interesse romântico do nosso protagonista.
Bom, como falei, o roteiro no guia pela incursão do garoto no hospital e conforme vamos acompanhando sua jornada de auto-conhecimento, vamos percebendo que muito dos nossos pensamentos negativos evoluem dessa maneira por muitas vezes guardamos eles pra nós mesmo. Isso fica claro durante o filme.

Como a nossa mente pode nos impor limites que muitas vezes, não existem. A vida é uma só e devemos de fato não termos medo das coisas darem errado. E essa jornada é feita de maneira bem leve e às vezes descontraída.

Achei a opção por lidar com um tema tão pesado dessa maneira bem acertada. Isso faz com que o filme funcione de maneira orgânica e fora alguns clichês e algumas resoluções rápidas, o filme não foge da proposta das lições que tenta passar.
Com um elenco afiado e que em nada compromete a narrativa, o destaque fica claro para o desempenho dramático de Galifianakis. Esqueça o que ele fez em Se Beber, Não Case. Aqui a sua entrega a um personagem que sim, se torna alívio cômico em alguns momentos, mas carrega uma bagagem pesada a sua atuação mostra isso. E tem a atriz bonitinha, claro que estou falando da Emma Roberts, prova mais uma vez que tem tanto talento dramático quanto sua tia mais famosa.

Bom filme, que ensina acima de qualquer coisa, que devemos aproveitar as oportunidades que a vida nos dá...e que seja antes de enlouquecermos.

Avaliação do Alter Ego:






Trailer:


Ficha Técnica
Se Enlouquecer, Não se Apaixone (It's Kind of a Funny Story) - 2010 - 101 min. - EUA - Comédia Dramática
Direção: Anna Boden, Ryan Fleck
Roteiro: Anna Boden, Ryan Fleck (baseado no romance de Ned Vizzini)
Elenco: Keir Gilchrist, Zach Galifianakism, Emma Roberts, Jeremy Davies, Viola Davis, Lauren Graham, Zoë Kravitz
Site Oficial: http://www.itskindofafunnystorymovie.com/