02 maio 2016

Capitão América: Guerra Civil

Essa talvez seja a resenha mais fácil que já escrevi...
...porque daria pra resumir em uma frase o que você vai ler a seguir: Capitão América: Guerra Civil é o melhor filme da Marvel e uns dos melhores filmes baseados em quadrinhos de todos os tempos!

Como chegamos a isso? Talvez isso se explique pela forma com que o roteiro magistral escrito pela dupla Christopher Markus e Stephen McFeely conseguiu adaptar uma das obras mais importantes da nona arte, sem perder a essência da obra original, mas sem esquecer que existe um fio condutor no chamado MCU (Universo Cinematográfico da Marvel) e que ele deveria ser seguido. Pois uma coisa é certa: o material de inspiração, tem que ser lembrado somente pelo mote principal da trama, que é o pano político que envolve a questão dos limites entre liberdade e justiça. E o que poderia ser uma tremenda bola fora, de certa forma (e até por conta das circunstâncias do atual cenário dos filmes do estúdio), acabou por se tornar o maior trunfo.
A Marvel mostrou com esse filme que todo o seu universo cinematográfico, de fato, é uma linha totalmente diferente do que rola nos quadrinhos. E se em A Era de Ultron ela errou em mostrar que tudo está devidamente caminhando para um lugar em comum, em Guerra Civil temos apenas a sensação de que tudo sim, está indo para o mesmo lugar, mas nada comum! Seja pela maturidade de um roteiro que não arrisca em tocar em pontos que pouco foram tocados nos filmes anteriores do estúdio, seja pelo respeito a sua linha temporal na grande tela que claramente define um caminho sem volta para nosso heróis da Casa da Idéias. E esse é um caminho cada vez mais ousado!
Aviso aos navegantes: Guerra Civil é um filme pra poucos. Mesmo sendo um filme da Marvel, é um filme político, é um filme pesado em alguns momentos, e que se mostra leve nos alívios cômicos sempre presentes em seus filmes. Mas não até esses alívios são inseridos de maneira consistente. São mais de 02 horas de reprodução e você nem percebe, quando vê, os créditos estão rolando. E isso com certeza é muito, muito culpa dessa dupla de irmãos que com certeza, hoje, depois da saída de Jon Favreau, são os "meninos dos olhos" do estúdio. Os irmãos Anthony e Joe Russo consegue imprimir uma identidade única, trabalho excepcional que começou no filme anterior do Capitão (e que o bocó aqui não escreveu a resenha ainda...), Soldado Invernal.

E mesmo que eu considere Guerra Civil um "Vingadores 2.5", uma coisa fica clara: esse não é um filme dos Vingadores e sim, o terceiro filme de uma história que começou em Capitão América: O Primeiro Vingador (outra resenha em débito, sorry folks). É uma história de um cara que precisa lidar com os seus ideais e certeza de uma forma única e pessoal. O resultado disso acaba sendo a tal da
Guerra Civil em uma via muito mais ideológica do que nas vias de fato. Não que elas não ocorram, mas águas passam pela ponte antes disso ocorrer.
Assim como o filme anterior, Guerra Civil trata de questões políticas de uma forma tão realista e pesada quanto um "Bourne" ou um "James Bond" fariam. É um mundo onde cada ação tem sim uma consequência e essas ações estão sendo cobradas a nível mundial. Não é a questão de registro dos heróis que está em pauta. Todos já sabem quem são a maior parte deles. A questão é controle. O governo, depois dos acontecimentos dos filmes anteriores (sim, todos os DOZE filmes são colocados de certa forma no bolo), com destaque aos dois Vingadores e ao filme anterior do Capitão, deseja controlar o grupo e ao invés de deixar com que eles atuem sem nenhuma satisfação, que isso seja feito ao olhos de alguém designado pela ONU, que vai dizer onde e quando eles devem agir.

Sendo assim, a ideia principal da HQ se mantém preservada, pois essa decisão ou não de aceitar o acordo (nomeado de Sokóvia, a cidade devastada no segundo filme dos Vingadores é o que divide o grupo. O confronto ideológico, entre Steve Rogers (Chris Evans) e Tony Stark (Robert Downey Jr.), que de certa forma se segue desde o primeiro encontro dos dois, ganha aqui contornos definidos e talvez, definitivos. E isso é potencializado pelas ações de Bucky Barnes, O Soldado Invernal (Sebastian Stan) e que se torna parte do fio condutor da adaptação. As atitudes de Rogers, em querer provar que seu outrora amigo é inocente, transformam o grupo liberado pelo Capitão em foragidos que serão caçados pelo grupo de Stark que tenta, a princípio de forma pacífica, em vão mostrar que os heróis devem sim ser controlados.
Em meio a perseguição de Stark a Rogers, somos apresentados a uma das mais gratas surpresas desse filme: o Pantera Negra (Chadwick Boseman). Por conta das ações do Soldado Invernal, a entrada de T'Challa, rei de Wakanda na trama é feita com uma competência incrível e justifica de uma vez por todas a escolha da Marvel de lançar um filme solo (e agora muito aguardado) do herói. Se alguém tinha alguma dúvida, elas foram por água abaixo.

A habilidade dos irmãos Russo em fazer essas transições entre as duas histórias (e que o que as liga) e os vários personagens que aparecem em tela, é feita de uma maneira tranquila e sem problemas. O que me deixa muito tranquilo com a escolha dos dois para a direção do próximo filme dos Vingadores, Guerra Infinita, que promete reunir TODOS os personagens, já apresentados até aqui e que virão nos próximos anos. Claro, que o destaque da trama está no trio formado por Capitão América, Homem de Ferro e o Soldado Invernal, mas é incrível como todos os personagens e suas "pequenas" tramas vão se desenhando e surgindo em meio a isso. Da mesma forma que temos o fechamento de algo que começou lá no primeiro filme do grupo.
As questões de lealdade, companheirismo, amizade e compromisso são colocadas em cada uma das ações de Falção (Anthony Mackie), Máquina de Combate (Don Cheadle), Gavião Arqueiro (Jeremy Renner) e Viúva Negra (Scarlett Johansson). Os diálogos com seus "lideres" acabam por trazer questões que não haviam sido colocadas em xeque, ou que talvez só vieram a tona, pela divisão por conta do acordo. Percebe-se que a imposição do acordo acaba por ficar em segundo plano quando os questionamentos que são feitas pelas ações de cada um dos Vingadores é percebida como certa ou errada, de acordo com os pontos de vista.

Eu mesmo, antes mesmo de entrar na sala do cinema, me declarei #teamcap. Mas fato é que os dois lados apresentam argumentos e justificativas muito convicentes. E conforme a trama se desenrola, percebe-se que a muito mais em jogo. Em parelelo a isso, temos a Feiticeira Escarlate (Elizabeth Olsen) e o Visão (Paul Bettanny) em uma outra questão importante que é o controle dos poderes de alguém que aparentemente pode não ter controle sobre esses poderes. E aos que conhecem os quadrinhos, é nítido que o seu relacionamento começou a ser construído de maneira discreta.
Eis que então Guerra Civil apresenta, em meio as cenas sensacionais e bem coreografadas de ação e ao roteiro impecável o seu maior trunfo e a sua maior surpresa: o novo Homem-Aranha (Tom Holland), já declarado por todos O MELHOR DE TODOS no cinema e um Homem-Formiga (Paul Rudd) tão entrosado que parece que está participando dos Vingadores desde o seu início.

A apresentação do Homem-Aranha, que no trailer parecia ser o ápice da cena, se mostra só uma fração de uma sequência espetacular e que só é tão incrível quanto a Batalha de Nova York, no primeiro Vingadores. A atuação de Tom Holland prova que a escolha não poderia ter sido mais acertada. Desde a quimíca com Robert Downey Jr. até a desenvoltura nas cenas de ação, comprova essa afirmação. E Paul Rudd, que já havia mandado muito, muito bem no primeiro filme solo do personagem, entrega o seu passaporte de embarque ao grupo e foi recebido com honras e pompa. A cada cena dessa dupla, as risadas eram garantidas e o melhor de tudo: sem serem nem um pouco gratuitas.
Claro que nem tudo são rosas e sim, a de se criticar o desempenho dos vilões do filme. Ossos Cruzados (Frank Grillo), depois de todo o destaque no filme anterior do Capitão decepciona, mas não menos do que o Barão Zemo (Daniel Brühl) dessa adaptação. Aqui, nem título impõe e ao que parece, tivemos mais um vilão da Marvel, nas adaptações pro cinema, que não se aproxima de Loki. Mas o seu papel na trama de certa forma, é importante já que culmina em uma importante evolução do Pantera Negra. E também no desenho da relação entre Rogers e Stark.

Capitão América: Guerra Civil não decepciona. Na verdade, até surpreende. Nunca um roteiro de um filme baseado em quadrinhos foi tão bem amarrado e desenvolvido. Fica sim, a sensação de que nada está concluído. Nenhum ciclo é fechado e tudo isso se justifica já que o filme é apenas o primeiro dessa nova fase, a terceira, da Marvel nos cinemas. Os irmãos Russo provaram que sim, entendem do que estão fazendo, seja nas espetaculares cenas de ação, seja nas cenas de diálogos dramáticos e tensos. E mais ainda, nas cenas que misturam todos esses elementos.
Em um ano em que tantos filmes bacanas estão sendo lançados, Guerra Civil se coloca no lugar que todos esperavam que ele estivesse após seu lançamento: o topo. Agora o desafio da Marvel vai ser superar um filme que, para os seus padrões, eleva todos eles a um nível nunca antes alcançado. Roteiro preciso, atuações impecáveis e direção competente ao extremo. E quem ganha com isso, somos todos nós.

AVALIAÇÃO DO ALTER EGO:
(Excelente) +1

TRAILER:


FICHA TÉCNICA:
Capitão América: Guerra Civil (Captain America: Civil War) - 2016 - 147 min. - EUA - Ação/Ficção
Direção: Joe e Anthony Russo
Roteiro: Christopher Markus e Stephen McFeely
Elenco: Chris Evans, Sebastian Stan, Robert Downey Jr., Scarlett Johansson, Chadwick Boseman, Elizabeth Olsen, Paul Bettanny, Don Cheadle, Paul Rudd, Jeremy Renner, Emily Van Camp, Anthony Mackie, Frank Grillo, Daniel Brühl e Tom Holland.
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