05 janeiro 2016

Resenha | Star Wars: O Despertar da Força

Ok...virou o ano, já passaram algumas semanas dá estréia e olha...
...confesso que ainda fica difícil falar de "O Despertar da Força" sem se empolgar. Todos já devem ter lido algo sobre. Tem os que amaram. Tem os que odiaram. Tem os que conheciam. Tem os que não conheciam.

Assim como todo fenômeno da cultura pop, Star Wars não agrada a gregos e troianos. E ainda bem. Toda unanimidade é chata. E antes de falar do filme gostaria de falar algo mais sobre o hype.

Nos últimos anos, o cinema de Hollywood tem vivido uma crise de criatividade. Na verdade, isso já dura mais tempo do que o normal. E resgatar velhas fórmulas, principalmente as que fizeram sucesso, virou algo normal para a industria. E nesse bolo, a fatia maior ainda seria cortada.

Quando foi anunciada a tão esperada sequência de uma das maiores histórias que o cinema já teve, é claro que a empolgação dos fãs era inevitável. Ainda mais depois dos pequenos deslizes que a última trilogia (episódios I, II e III) representaram para aqueles filmes clássicos (episódios IV, V e VI). Houve desconfiança. A Disney havia comprado a Lucas Films, o criador George Lucas, pro bem ou pro mal, não estaria envolvido de nenhuma maneira na nova trilogia.

Foram meses de notícias, boatos, desconfianças e muitas perguntas: onde estariam os personagens clássicos? quem são esses novos personagens? para onde a história vai seguir? teremos Jar Jar Binks de novo? #medo.
Enfim, foram meses de ansiedade até que finalmente, o tão esperado trailer. E que trailer. Sério, até hoje mesmo depois de ter visto o filme, ainda é um PUTA teaser. Havia a certeza de que J.J. Abrams (o que dizer de você meu amigo que nunca vi?), aquele mesmo que já havia revitalizado Star Trek e Missão Impossível e que tinha a benção do próprio Lucas.

Mas a Disney e JJ não são bobos e nem nada. Convocaram não só o elenco da trilogia clássica como também o maior trunfo dessa nova trilogia. Seu nome: Lawrence Kasdan. A parceria de Abrams, em tratamento final ao primeiro roteiro escrito por Michael Arndt, com o responsável pelo melhor roteiro da saga é perfeita! Não à toa que O Despertar da Força tem muito de O Império Contra-Ataca. E arrisco dizer que por pouco, não o passa como melhor filme da série.

Estou me adiantando, já que a ansiedade do mundo nerd e da cultura pop de uma maneira geral era gigantesca! E eis que chega o grande dia. 17/12/2015, 20hs. E depois daqueles pouco mais de 120 minutos dentro daquela sala, reação imediata foi essa:
Sobre Star Wars: PUTA QUEU PARIU!!!!!Épico...um dos melhores filmes de todos os tempos.
Posted by Sérgio Leitão on Quinta, 17 de dezembro de 2015

Se for seguir o que a bilheteria e os recordes que o filme vem quebrando, até que faz algum sentido, mas...agora, então, vamos com mais calma falar sobre Star Wars VII: O Despertar da Força.
O filme é sim tudo o que os fãs de Star Wars esperavam. Embalada ainda pela trilha sonora de John John Williams, a história segue cerca de 30 anos após os eventos de O Retorno de Jedi. Como os clássico letreiros amarelos entregam logo no início do filme, Luke Skywalker (Mark Hamill, em ótima forma eremita) está desaparecido há tempos. Mas sua presença se faz necessária diante da uma nova ameça à República: a Primeira Ordem, organização que segue os passos do Império e que pretende com uma nova arma (não tão nova assim) acaba com a paz que estava estabelecida. Luke é o único que tem a força necessária para ajudar aos Rebeldes, liderados pela agora General Leia (Carrie Fisher, uma lady mesmo em trajes de guerra), a vencer essa nova ameaça ao universo.

Se olharmos de uma maneira ampla, esse poderia ser o resumo do enredo desse novo filme da saga. Mas ainda bem que as camadas que envolvem a história de Star Wars são um pouco mais profundas que isso. Ok, vamos combinar que nesse primeiro filme da nova trilogia, a profundidade não chega a tanto. E olha, ainda bem.

A maior crítica a última trilogia comandada por George Lucas foi justamente um aprofundamento que passou o desnecessário e acabou com o que poderiam ser ótimos filmes. Mas o roteiro de Abrams e Kasdan se apropria de algo que a própria série trouxe, que são explicações minímas e diversão máxima. Os mais críticos irão dizer que o roteiro tem inúmeros furos e que a história passa com vários absurdos. Mas temos que lembrar que Star Wars é um filme de fantasia. O foco não é nenhum outro que não seja esse.
Sim, temos o drama de uma família nada tradicional que tem que lidar com as idas do bem e do mal. Temos um mercenário que se descobre herói por oportunidade e que reluta contra isso até o último momento. Temos um pano político tenso e complexo que resulta em uma guerra inevitável pelo poder. Star Wars tem sim sua "parte séria" e ela é bem representada também nesse filme. De forma apressada, sim concordo, mas nunca de forma desastrosa.

Aos sermos apresentados aos novos personagens, somos apresentados a eles da mesma forma que fomos apresentados a Luke, Leia e Han Solo no primeiro filme da série, o episódio IV. Assim como todo o desenvolvimento desses mesmos personagens foram mostrados nos filmes seguintes a esse. E eis o que tivemos...história, certo?

Então, após conhecermos o melhor piloto da frota rebelde, Poe Dameron (Oscar Isaac, atuando como se fosse veterano da série), já estamos no meio de uma missão arriscada que visa esconder um segredo que colocará em rota de conflito pela primeira vez as forças do bem e do mal..e ai aparece BB8.
Sério, o trabalho que a produção conseguiu fazer com esse pequeno droide que veio para roubar o lugar do R2-D2 dos nossos corações é algo SENSACIONAL! Sério...ele tem que receber algum prêmio porque, olha, atuou melhor do que aquele garotinho do episódio I (peguei pesado...mentira, é verdade).

E ai se você viu o episódio IV, começará a entender que esse filme é muito mais que remix/reboot/continuação. Ao sermos apresentados à Rey (Daisy Ridley, simplesmente incrível e minha nova paixão platônica), temos a referência àquela clássica história. Mas ela tem que ser algo novo. E é esse mix de velho com o novo que faz desse filme um dos melhores da franquia.

Temos o droide com uma importante mensagem que deve ser entregue a alguém e ai então, em meio a isso tudo, conhecemos Finn (John Boyega, mandando muito, muito bem!), stormtrooper (ou aquele soldados com roupas e capacetes bacanas pra você que não conhece o termo) desertor que não vê sentido em toda aquela maldade que seu líder demonstra. E esse líder é Kylo Ren (Adam Drive, grata surpresa) que liderá o exercito da Primeira Ordem com total influência daquele que um dia foi Darth Vader.
Os conflitos internos de Kylo poderiam render um filme por si só, mas esse não é o foco aqui ainda. A Força, como vemos, é forte nele e suas origens justificam isso. A maldade, o lado sombrio da Força se torna uma escolha, mesmo que o lado da Luz ainda persista e insista em fazer parte da sua caminhada. Mas algumas ações são sem volta e assim como Anakin Skywalker um dia fez sua escolha, a escolha de Kylo Ren é feita e determinada nesse filme.

Mas para a sua contra-parte, Rey, também sofre dos mesmos conflitos internos, esses muito mais inclinados a não aceitação de um destino inevitável do que qualquer outra coisa. Mas todo herói sempre sofre disso, certo? Mas engana-se quem pensa que Rey é a donzela em perigo. E prova isso durante todo o filme para um público que aceita de braços abertos essa garota que tem mais garra e fibra do que suas formas delicadas aparentam.

E ainda em meio a tudo isso, temos o retorno de Han Solo (Harrison Ford, lenda viva), Chewbacca (Peter Mayhew com seu urro em forma ainda), R2-D2 (Kenny Baker) e C-3PO (Anthony Daniels) para o delírio dos fãs mais velhos. Solo dessa vez assume o papel que outrora foi de Obi-Wan Kenobi como mentor e guia Rey e Finn no caminho que os leva ao seu destino. "São reais, todas elas" confirma aquele que um dia foi incrédulo e hoje é parte das lendas, quando questionado sobre as histórias que aqueles jovens ouviram.
Claro que o filme tem sim seus pontos a serem questionados. A velocidade com que as situações são resolvidas e a falta de algumas explicações incomodaram alguns espectadores e é algo justificável. Mas não tira em nenhum momento o mérito, já que J.J. Abrams o faz de maneira tão elegante e eficaz, que a empolgação que toma conta em algumas cenas é o que faz o filme valer a pena.

O que dizer daquela cena da Millenium Falcon em ação se não nada menos do que incrível, espetacular ou FODA DEMAIS DA CONTA???!!!
Isso é o novo Star Wars. Uma homenagem justa ao que funcionou em toda a série clássica e uma introdução a uma nova aventura que já confirma personagens tão fortes e carismáticos como aqueles que o mundo aprendeu a gostar a quase 40 anos atrás.

J.J. Abrams conseguiu de maneira exemplar honrar todo o legado de uma das séries cinematográficas mais relevantes e importantes de toda a história da maneira mais simples e direta possível, indo direto ao ponto e deixando pontas e mais pontas soltas para que sejam amarradas nos episódios que estão por vir.

Falta muito pra 2017?

Avaliação do Alter Ego:


Trailer:

Ficha Técnica:
Star Wars: O Despertar da Força (Star Wars: The Force Awakens) - 2015 - 135 min. - EUA - Aventura/Ação/Ficção Científica
Direção: J.J. Abrams
Roteiro: J.J. Abrams, Lawrence Kasdan e Michael Arndt
Elenco: Daisy Ridley, John Boyega, Oscar Isaac, Adam Driver, Harrison Ford, Carrie Fisher, Mark Hamill, Peter Mayhew, Anthony Daniels, Kenny Baker, Lupita Nyong'o, Andy Serkis, Max von Sydow
Site Oficial: http://br.starwars.com/filmes/star-wars-episodio-vii-o-despertar-da-forca



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