10 março 2016

Resenha | A Rede Social

Rever um filme como esse, em meio ao nosso mundo atual...
...chega até ser meio irônico.

Hoje, Mark Zuckerberg é ao que parece, uma pessoa totalmente diferente daquele mostrado no filme dirigido por David Fincher, com toda certeza um dos melhores diretores dos últimos anos. O filme tem como roteiro original de Aaron Sorkin a adaptação do livro de não-ficção "The Accidental Billionaires", escrito por Ben Mezrich em 2009.

O que mais me impressiona nesse filme é que ele parece ser bem atual, mesmo sendo de 2010. A câmera de Fincher transforma o filme em um triller psicológico intenso e que joga o espectador em meio aquela história como se ela estivesse ocorrendo por ai em algum momento.

Fato é que não só o filme, mas como também muita água correu por debaixo dessa ponte chamada Facebook. Eu, você, todo o mundo sabe que em um mundo tão conectado e tecnológico de hoje, a "ideia" de Zuckerberg acerta em cheio naquilo que o ser humano tem de mais intenso: o ego.
O roteiro de Sorkin, merecidamente ganhador do Oscar de Melhor Roteiro Adaptado, alterna as linhas temporais de dois processo sofridos pelo dono do Facebook. Um pelos irmãos Cameron e Tyler Winklevoss (Armie Hammer em atuação muito boa, com a ajuda de um dublê de corpo) e seu parceiro Divya Narendra (Max Minghella), que alegam que a ideia do site é um plágio da Harvard Connection, rede para os alunos da conceituada universidade de Harvard. O outro, pelo até então, melhor amigo de Mark, Eduardo Saverin (Andrew Garfield, que me surpreendeu muito), o brasileiro cofundador do Facebook.

Em meio a isso, a história cria na figura de Mark um misto de gênio e oportunista (não no bom sentido) e que não entrega nenhum julgamento. Trunfo máximo do roteiro! O julgamento que existe no filme é da luta interna que o próprio Mark Zuckerberg (Jesse Eisenberg, mandando muito, muito bem!) entre levar em frente um orgulho e um sentimento de vingança que não poupa nem a si mesmo das consequências de seus atos, ora muito benéficas, ora tóxicas e que prejudicam suas relações.

O olho do furação: a criação daquela que hoje é a maior e mais estável rede social que a internet já conheceu. Mas claro que essa história seguiria como uma das várias que conhecemos (ou não) sobre interesses corporativos que são levados ao público, muitas vezes, de maneira distorcida e incompleta.
O próprio filme assume isso e não entra em maiores detalhes do que de fato ocorreu durante o processo de criação do Facebook, mas sim, o que traz a definição exata entre homem e gênio, homem e monstro. A trilha sonora, outra que levou o Oscar, composta por Trent Reznor e Atticus Ross merece destaque por nos colocar sempre em meio a esse confronto que incomoda e ao mesmo tempo, nos lembra da sensação que a própria cria de nosso protagonista causa: a necessidade de entrega de algo.

Um retorno, uma amizade, uma palavra, uma curtida. A versão real declarou já várias vezes que nunca criou a rede para se vingar se sua ex-namorada. Mas, de certa forma, no mundo que David Fincher cria, isso faz todo sentido. "Todo mito de criação precisa de um diabo" - a frase citada pela personagem de Rashida Jones é precisa no que o filme quer entregar. E mais além do que isso, é a frase que sintetiza as ações que muitos acabam por tomar na rede criada para alimentar nossos monstrinhos egos...."você não é um babaca, mas faz de tudo para parecer um".
E a saída da sala da personagem é uma saída rumo ao encontro do que realmente buscamos não parecer e acabamos sendo. Se o Mark da ficção não era um babaca...bom, o julgamento fica ao final da sessão...e de como você está alimentando o seu monstrinho.

Avaliação do ALTER EGO:






TRAILER:

FICHA TÉCNICA:
A Rede Social (The Social Network) - 2010 - 121 min. - EUA - Drama
Direção: David Fincher
Roteiro: Aaron Sorkin
Elenco: Jesse Eisenberg, Andrew Garfield, Justin Timberlake, Armie Hammer, Max Minghella, Rooney Mara, Rashida Jones
Site Oficial: http://www.thesocialnetwork-movie.com/




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